Não foi nada
No domingo pela volta da uma para as duas da noite, os moradores do fim do Zorro, e Portas de Mertola, sahindo para a rua, gritavam como uns possessos: “Tremor! tremor! fugam!...” “Santo Deus! Nossa Senhora nos valha!” gritavam uns. “Salve-se quem poder”, exclamavam outros. “Meu anjo da guarda não me desampareis!!” assim se expressava uma beata, que em camisa e com as inseparaveis contas em punho, corria para a rua. “Castigo! castigo do céo”, diziam dois carolas. Quem ouvisse tal celeuma julgaria de certo que um grande crime se teria perpetrado ou que grande desgraça estava imminente. Pois não foi nada d’isso, mas sim os batoteiros que se achavam no bilhar de Domingos Garcia, que pressentindo a policia no estabelecimento, se evadiram pelos telhados.