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Artigo

Pretinha e a Avulsa

Acidentes e sinistrosSociedade e vida quotidianaBeneficênciaIncêndios
Interpretacção incerta

Passavamos pelas Alcaçarias, e a ouvirmos as seguintes amabilidades parámos: “Tola, porca, julga talvez que já me esqueceu o que vosê hontem disse de mim em casa da Luiza?” “Eu não disse senão a verdade.” “O que vossê lhe vale é estar onde estamos senão eu lhe cantaria.” Assim se dirigia á sr.ª D. Maria Avulsa, a Pretinha que sentada á porta fazia meia. “Mas não te furtes fina senão toco-te a fogo”, continuou a Avulsa. “Trapalhona!” “Sim trapalhona, atacou de novo a Pretinha batendo o pé. — Porque não tenho talvez um balão de junça como a sr.ª, e um vestido de cambraia? Tambem para os lojeiros me andarem sempre a bater á porta antes com esta farpella.” “Já cá vio algum sua delambida!” “Já sim seu estupor...” A Avulsa a acabar a phrase e a Pretinha a deitar a meia para o lado e dar-lhe dois suecos, e também applicados que o sangue espirrou logo do nariz. A Pardalinha que se achava tambem presente gritou por soccorro, acudiu a visinhança, e restabeleceu-se a ordem.