Morta sem o estar
Diz um jornal de Guimarães, que a exm.ª sr.ª D. Antonia Amelia Pinheiro da Silva Rocha, irmã do sr. Manoel Pinheiro da Silva Rocha, de St.ª Christina d’Arões, já muito gravemente enferma d’uma inflammação intestinal, depois d’uma demorada febre gastrica, teve n’um dos dias da semana passada um violento espasmo nervoso, que lhe durou 2 noites e 1 dia. Passava-se isto na Povoa de Varzim, para onde ella tinha ido acompanhada de algumas pessoas da familia. Durante este estado conservou sempre todos os signaes de morte, olhos fechados, corpo e pulso frio, o braço e a mão esquerda muito inchados e roxos etc. A familia aterrada com a sinistra idéa de morte participou para Guimarães aquelle supposto fallecimento, e ordenou que marchassem para a Povoa de Varzim umas andas que conduzissem para aquella cidade o cadaver e que lhe preparasse o funeral na capella das freiras de N. Senhora da Madre de Deus, vulgo Capuchinhas. Estava pois tudo disposto para o enterro, e já as andas iam ás Necessidades, pequena distancia da Povoa, quando a morta resuscita e chama por sua extremosa mãe. Mais tarde um pouco aquella infeliz senhora teria, ainda em vida, dada em pasto aos vermes do sepulchro. Tire-se pois d’aqui a lição conveniente e haja mais cuidado e circumspecção em não adiantar o enterramento de qualquer pessoa. Quantos infelizes terão ido morrer debaixo da lousa sepulchral.