Madrid, 16
O governo transferiu-se para Paris na segunda feira. Rochefort, ao dar a sua demissão do cargo de deputado, escreveu a seguinte carta ao presidente da assembléa: «Cidadão presidente. Os nossos eleitores deram-nos o mandato de representar a França republicana una e indivisível. Pela votação do primeiro de março a assembléa entregou duas provincias, desmembrou a França, arruinou a patria. Essa assembléa já não é portanto a expressão do paiz, e as suas deliberações são de ora avante consideradas nullas. (Exclamações.) Além d’isso, o voto dos quatro generaes que commandam os nossos exércitos e a abstenção significativa de outros tres dão um desmentido formal ás asserções do sr. Thiers, no que diz respeito á nossa impotencia de continuar a guerra. Compelle-nos, pois, a consciencia que tomemos mais uma vez a linha d’uma assembléa cujos actos não podemos reconhecer como validos. Retiramo-nos, pois, como os nossos irmãos da Alsacia e da Loena, e a vós, cidadão presidente, dirigimos a nossa demissão de representantes do povo. Recebei etc. Assignados: Henrique, A. Rane, representante de Paris; B. Malm (da Internacional), representante de Paris; G. Tridon, representante da Cote-d’Or.» Felix Pyat imitou Rochefort, e dirigiu tambem a seguinte carta ao presidente da assemblea franceza, e leu-a elle mesmo na tribuna: «Cidadão presidente: A votação da maioria da assembléa impõe-me um dever de consciencia, o dever de declarar que essa votação é um attentado ao meu mandato de representante. Sou o mandalario do povo soberano e não seu senhor, e se eu me calei antes da votação, é por que não estava authorisado a discutir similhante tratado. Recebi do povo um mandato imparativo. (Interrupção.) O sr. Laval. E a vossa consciencia? O sr. Felix Pyat. A minha consciencia está de accordo com a dos meus eleitores. Este é o mandato que recebi—Paz honrosa... França e republica indivisiveis. «Este mandato (continuando a leitura da carta) nega-o a votação da maioria. Ella quer uma paz, uma paz que julga honrosa sem duvida, mas uma paz que envergonha a França. Devo pois protestar, não pela minha demissão, que a assembléa não tem poder para acceitar, mas porque a assembléa se dissolveu de direito pela sua votação (exclamações e risos), porque se matou mutilando a França, porque já não representa a França, toda a França que a nomeou em 8 de fevereiro. Já não existe. Devo, fiel ao meu mandato, á unidade da França, ao dever de a representar tal qual era, quando a capital me fez a honra de me nomear, devo protestar saindo da assembléa, que já a não pôde representar inteira, e não tornarei a entrar n’ella emquanto não fôr annullado o seu voto parricida.» (Ruido.)