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Caminho de ferro

Como ainda deve estar na memoria de todos, o segundo batalhão do 61.° regimento prussiano perdeu uma bandeira em uma acção diante de Dijon a 23 de janeiro. É a unica bandeira que o exercito allemão perdeu, e para honra d’aquelle corpo receberam-se em Berlin os seguintes pormenores officiaes: O segundo batalhão do referido regimento sob o commando do capitão Kumme recebeu ordem a 23 de janeiro ás 4 horas da tarde para avançar como reforço á direita do quarto regimento de infanteria da Pomerania n.º 21. O batalhão seguiu n’aquella direcção, formando em columnas de companhias, e tomou caminho ao lado esquerdo do caminho de ferro de Dijon. Os franceses foram rechaçados em todos os pontos e fugiram em debandada para Dijon. Tres companhias do segundo batalhão, a 8.ª, 6.ª e 7.ª, que haviam chegado ao extremo da ala direita da posição prussiana, adiantaram-se, perseguindo os franceses, mais alem do que deviam, isto é, fóra da linha de fogo prussiana, e conseguiram penetrar nos arrabaldes de Dijon. Alli foram recebidas, tanto do lado do caminho de ferro como dos telhados e janellas das casas onde os garibaldinos se haviam entrincheirado, por um fogo nutrido e destruidor de infanteria. Os prussianos não tiveram outro remedio senão tornar a retirar para traz de uma collina que acabavam de tomar aos franceses em combate renhido. Em um grande edificio de tres andares haviam-se fortificado os franceses. Estava este edificio situado a uns 150 passos á direita da posição, para onde tinham tido que retirar as companhias prussianas. A 5.ª companhia recebeu ás 6 horas da tarde ordem do tenente coronel von Luchs para tomar aquelle edificio de assalto. O coronel Kumme, commandante do batalhão, fóra forçado a retirar-se por estar ferido no pescoço. A companhia á cuja frente se achava o sargento Pionke, levando a bandeira, saiu immedatamente da sua posição coberta. Mas apenas havia dado 25 passos contra o edificio, quando o sobredito sargento e a secção que o acompanhava caíram por terra atravessados pelas balas inimigas. O tenente Schultz apanhou immediatamente a bandeira, e erguendo-a avançou uns vinte passos para os seus soldados. Poucos momentos depois caiu morto, tendo o peito atravessado por duas balas. Então apeiou-se o tenente ajudante do batalhão e lançou mão da bandeira, mas tambem caiu havendo recebido uma bala na cabeça. Dois mosqueteiros que então tomaram a bandeira tiveram a mesma sorte um após outro. Depois que tambem foi ferido gravemente o commandante da companhia, teve esta que retirar á sua antiga posição, dizimada e reduzida a poucos soldados. Com o fumo e a escuridão da noite não se havia notado que faltava a bandeira. Quando se deu por tal, tornou a sair outra companhia para ir buscal-a mas não foi possivel encontral-a. Uma patrulha que saiu depois com o mesmo fim não voltou e provavelmente caiu em poder dos francezes. Pouco tempo depois viram-se os prussianos cercados pelos francezes que haviam saido de Dijon, e quando as cornetas deram signal de retirada para as posições do grosso do exercito prussiano, tiveram as ditas companhias de abrir caminho por entre o inimigo á força de bayoneta. O batalhão chegou muito dizimado ao ponto de reunião. Muitos soldados ainda não sabiam que faltava a bandeira, porque na confusão da lucta não houvera tempo de se espalhar a noticia; e qual não foi o seu pesar quando ouviram relatar o triste acontecimento!