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Vidigueira · Portugal Câmara Municipal

Dizem-nos d’aquella localidade: Não houveram este anno os officios commemorativos da paixão e morte do Homem Deos, porque a santa casa da misericordia que costuma mandal-os celebrar, não se julgou habilitada para tal com os meios necessarios. E pena, porque costumam ser muito concorridos, e porque a falta d’estes actos commemorativos desvia da bôa senda os menos favorecidos d’instrucção. Fizeram-se comtudo as procissões de triumpho de bandeiras na quinta feira, a de enterro, e a de ressurreição; todas com muita boa ordem, e bem concorridas, primando a de domingo de paschoa, não só pela grande concorrencia e bôa ordem dos irmãos das confrarias que a compunham, mas porque tambem concorreram a camara municipal, auctoridades administrativas, judicial, empregados publicos e mais cavalheiros que atraz do pallio, e seguidos da banda marcial, a tornavam muito grande e magestosa. Pregaram ao recolher das procissões os reverendos padre Luiz de Vasconcellos na de triumpho, e padre [ilegível] nas mais. A oração do reverendo padre Luiz foi brilhante pela eloquencia, e insinuante pela exposição. Como em igual dia do anno passado, houve no domingo de paschoa distribuição de jantar aos pobres da Vidigueira—e até alguns das freguezias ruraes,—pelas oito horas da manhã; constando de dois pães de 500 grammas cada um—500 grammas de carne—100 de toucinho—100 d’arroz—e laranjas, o que tudo se achava em taboleiros enfeitados com flores, que tambem foram repartidas conjunctamente com o jantar. Este jantar foi feito por subscripção entre os principaes cavalheiros da localidade, e promovida por uma commissão de que era presidente o nosso administrador. Não houve pobre que ao receber este obulo não vertesse lagrimas de reconhecimento. Bem hajam os nobres benfeitores que concorreram para que n’aquelle dia de festa e regosijo nem um só individuo desta povoação soffresse fome.