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Artigo

Dúas esperanças

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Entrou ha dias na loja do sr. Manoel de Castro e Brito uma rapariga de 9 a 10 annos, e pediu o livro das mostras das chitas. —Para onde? perguntou o caixeiro. —Para casa da sr.ª D... —Prompto; mas não se demore muito. Entregue o livro, a rapariga sahiu; e passado tempo dava de novo entrada, e apontando para duas mostras que estavam marcadas disse. —A sr.ª se faz favor de lhe mandar as peças. —Desconfiado o caixeiro, mordeu as unhas e perguntou-lhe: —Então tu estás lá? —Nada meu sr., ia passando e como o criado tivesse sahido e a sr.ª precisasse muito e muito das chitas mandou-me aqui:—olhe... até me deu um pataco. E mostrou um pataco do tempo do nosso abençoado D. João VI. O boçal caixeiro palavras não eram ditas, pegou da escada, subiu, tirou as peças do prateleiro e entregou-as á innocente. Passou-se uma hora, duas, tres e a respeito de chitas nada. O caixeiro tirou-se dos seus cuidados e atirados os soccens para o lado, calçada a engraixada bota, foi mui lépido a casa da sr.ª D... e perguntou-lhe se tinha mandado buscar á loja do seu patrão algumas fazendas. Nada não senhor, respondeu a criada da casa. O caixeiro ficou desapontado, correu á administração, contou o acontecido á auctoridade, esta empregou os meios para descobrir a esperta rapariga mas tudo foi baldado.