Noticias de Barrancos
Em data de 18 do corrente dizem-nos d’aquella villa: Hontem, das seis para as sete horas da tarde, praticaram-se aqui scenas tristissimas. Achavam-se no cerro de João Ramos situado nos arrabaldes desta villa, mais de cem pessoas, travou-se ahi uma desordem de que resultou ficarem dois guardas d’alfandega, Antonio da Silva e Antonio José de Campos, gravemente feridos. Neste dia festejava-se N. S. de Flores, em Hespanha na sua ermida, situada quatro kilometros do leste desta villa; e é costume achar-se ali no dito serro uma parte do povo, para dirigirem ditos chistosos aos que regressam da mesma festa. Eu, que meia hora antes do successo, tinha passado, vindo de Flores, onde fui pela primeira vez, ouvi um grande vozerio e não ouvi o que me diziam. Julguei-os. Mas os ditos guardas não fizeram assim, porque ignoravam este costume e dirigiram-se, depois que ouviram palavras que não lhes convinham. Agora mesmo me disseram que os ditos guardas arremessaram contra os apupantes do estylo, ferindo o sr. Thomé Ramos e Domingos Caetano Junior, e que esta massa não pôde livrar-se d’elles senão á forçiori. Valha a verdade. As auctoridades competentes deram logo as providencias necessárias. O meritissimo juiz ordinario, o dr. João Antonio Martins Pereira, procedeu logo aos competentes autos de exame e corpo de delicto. Omitto aqui a minha opinião sobre os mais pormenores por assim o julgar conveniente. Com effeito eu fui a Flores e vi ali as nossas visinhas hespanholas, bellas como sempre. Dizer a verdade, gostei muito delias... as hespanholas, já se vê. Oh!... mas uma que eu vi, com os olhos azues, de chapéo de palha com plumas da mesma côr dos olhos, sentada n’uma salla ao lado direito da mesma ermida! Oh! Rafael não podia pintar um typo mais sympathico!... Desculpem-me naquella occasião invejei a sorte do nosso amigo Vasques que sentado ao seu lado, lhe tocaca nas vestes !,,.