Noticias do Japão (Revolução)
Uma correspondencia do Japão dá particularidades relativas ao attentado commettido no territorio japonez contra residentes inglezes, attentado que a telegraphia particular já fizera conhecer. A presença nas aguas do Japão de navios de guerra francezes e inglezes permitte contar que este crime não ficará impune, e que essas tentativas barbaras não serão renovadas. Eis a correspondencia datada de Yeddo de 18 de setembro recebida pelo Moniteur: «No dia 14 de setembro, tres residentes inglezes, acompanhando-os a mulher de um d’elles, percorriam a cavallo a estrada de Tokaido, logar habitual dos seus passeios e comprehendido no raio de dez leguas em que os tratados concedem aos extrangeiros uma protecção mais especial. Encontraram breve a numerosa escolta do principe Chimats Sabra, enviado do mikado ou imperador espiritual, que ia a Kanagawa. Apesar das precauções com que os passeantes tinham observado as regras da etiqueta japoneza, e posto que se tivessem postado cuidadosamente dos dois lados da estrada para darem passagem á chusma armada que seguia a piteira ou cadeirinha do principe, a attitude dos officiaes e soldados desta tropa tomou pouco a pouco um caracter ameaçador e alguns dos mais fanaticos, sem outro motivo mais que um sentimento de odio selvagem contra extrangeiros, acutilaram os passeantes inglezes. Dentro em poucos segundos, um d’estes, M. Richardson, cahiu morto, e os outros dois, bem como a sua companheira de viagem, todos gravemente feridos, não tiveram outro recurso senão uma fuga precipitada, e só deveram a salvação á velocidade dos seus cavallos. Este ataque contra europeus inoffensivos e desarmados naturalmente produziu na colonia vivas emoções; os representantes das potências reuniram-se em casa do ministro da França para combinarem os meios de obter do governo japonez as reparações devidas por taes actos de odiosa barbaridade. A presença na enseada de Yeddo das corvetas Monge e Dupleix e de alguns navios da marinha britannica affiança a segurança dos nossos nacionaes.»