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Artigo

Assassinato

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaBeneficênciaHomicídiosPrisões
Cuba · Vidigueira · Portugal Interpretacção incerta

No dia 10 do corrente, acharam-se á fonte do Cortiço nas proximidades da Vidigueira, José Marceneiro, boieiro e o seu ajuda o guarda de pastagem Messias, quando ali appareceu José Pichavêco, maltez, a quem a justiça já procurava, em virtude de umas facadas que ao tempo deu n’um rapaz de Villa de Frades. Perguntaram-lhe para onde ia, e disse que ia procurar trabalho, e principiaram a conversar. O Messias, larga a espingarda de dois canos, que trazia, para beber agua, e immediatamente deita mão d’ella o Pichavêco, e apontando ao boieiro, o matou com um tiro, querendo fazer o mesmo ao ajuda, o que não conseguiu por não disparar o outro cano da espingarda. O ajuda apontou a sua espingarda e fez conter o maltez em respeito até que o Messias tomou posse da sua, em seguida o levaram preso para a Vidigueira, contando o occorrido á auctoridade competente. O boieiro era natural da Cuba e deixa mulher e filhos. Diz-se que o Pichavêco tinha tido umas desintelligencias com o pastelleiro e que andava procurando occasião para o matar. O Pichavêco é um rapaz de 22 annos, forte e desembaraçado, natural de Villa de Frades, e quando era conduzido no meio da escolta para a Cuba, atravessou a sua terra, onde não apparecia havia muito tempo, com o riso nos labios, e em tal descaramento, que indignava toda a gente.