Carta philosophica de Garibaldi—Ao professor Filopanti
Meu caro: Ha tempo que ando com vontade de escrever-lhe; a occasião da sua carta para o fazer. Deísmo e materialismo são o objeto da contravérsia. Busquemos uma média proporcional, e chamemos-lhe «verdadeiro». Acredita que o verdadeiro possa servir para tudo? Eu creio-o. Interprete do verdadeiro, a razão e a sciencia. Eis o modo como eu desenvolvo o meu thema que submetto á sua superior intelligencia advertindo-lhe que eu aprendo, não ensino o «infinito». Poderia ser a definição do «verdadeiro»: —1.º O tempo é infinito: é verdadeiro; 2.º O espaço é infinito: é verdadeiro; 3.º O mundo ou a matéria no espaço são infinitos; é verdadeiro. Eis o incontestável. Resta a parte hypothética. A intelligencia infinita. Proclamal-a e refutal-a cae-se no incerto. Ha, porém, a seguinte differença: proclamando-a como causa, vemos os seus effeitos nas leis do universo. Os refutadores não teem tal apoio. Eu concluo isto: E’ melhor crer na intelligencia infinita, da qual pode fazer parte a nossa minima intelligencia. O credo póde ser designado com esta formula: «Estudo do verdadeiro ou estudo do infinito», interprete a razão e a sciencia. Repito, aprendo não ensino. E deixo-lhe o trabalho de estabelecer uma formula que possa servir a tudo, e pôr um termo á discordia. Sempre vosso=José Garibaldi».—(Gazeta de Italia.)