EXTERIOR
Narraram os jornaes, já ha tempos, o fuzilamento dos estudantes na Havana. O Times accrescenta a este respeito pormenores terriveis. Eram 8 os condemnados á morte. O fuzilamento teve logar logo depois da sentença. Oaze foram os condemnados a seis annos e vinte e quatro annos de trabalhos forçados. Os condemnados á morte depois de receberem os ultimos soccorros da religião foram conduzidos no meio d’escotta para dentro do castello de la Punta. Ao sahir da prisão o mais novo dos estudantes começou a chorar e a gritar por sua mãe, mas um outro—Alvares del Campo—virando-se para seu companheiro disse-lhe: «Valor! muramos como homens, sólo os criminaes tem que temer aqui.» Este rapaz tinha 19 annos. Um outro que não tinha ainda 17, dirigio-se ao sair da capella, a um amigo e disse-lhe: «Abraça meu pae e dize-lhe que seu filho morre innocente.» Vendo outro negro mais adiante, disse-lhe adeus com o mesmo socego como se o tivesse encontrado em circumstancias ordinarias. Um d’estes desgraçados agarrou-se ao padre com tal violencia que foi necessario separal-o á força. Chegados ao logar da execução ordenaram-lhes que ajoelhassem. Recusaram, a principio, obedecer, mas em vista dos rogos do padre acabaram por obedecer, declarando que cediam a elle padre, e não aos seus assassinos. Alguns minutos antes da descarga mortal houve um grande movimento na multidão: um negro com os olhos avermelhados pelas lagrimas e os punhos cerrados, pela indignação, precipitou-se sobre um dos estudantes gritando-lhe com voz tremula—«Niño yo muero con usted!» Um dos officiaes de voluntarios repelliu-o, e no mesmo momento cahiu morto: o negro acabava de o apunhalar! Quiz fugir, mas embaraçado pelas fileiras dos voluntarios, foi morto ali mesmo ás bayonetas. Morreu pois, como tinha dito, com seu jovem amo, a quem tinha conduzido tantas vezes á escola, porque era escravo do pae de um dos estudantes que foram fuzilados. Assim se procura restabelecer a paz e a concordia na pérola das Antilhas.