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Artigo

Barrancos 30 de março de 1872

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Barrancos · Portugal

Fizeram-se aqui as festas da semana santa, humildes sim, mas com muita decencia, tendo nós mais uma occasião de ouvir a voz inspirada do nosso digno prior padre Antonio Jacintho da Cunha que encarregando-se de todos os sermões e sendo em todos clarissimo, no de descimento da cruz em sexta feira santa de tarde foi admirável em eloquência, em exposição e sobretudo na linguagem sublime que soube sustentar em todo o discurso. A festividade chamada do descimento da cruz é das mais edificantes que temos presenciado, e em que o joven orador soube attrahir a attenção dos innumeros ouvintes de que o templo estava repleto e de cujos olhos vimos por vezes borbolhar as lagrimas, tal era a enthusiasmo com que lhes fallava ao coração, sendo para sentir que a humildade d’estas festividades seja devida ao quasi abandono das pessoas que a ellas deviam concorrer. Seguiu-se-lhe a procissão de enterro acto tambem bastante edificante e na sua maior parte composta de senhoras, procissão que costumando percorrer todas as ruas da villa, com grave risco de quem a compõe, por isso que o seu estado de empedramento é o mais deplorável possivel, dando logar por vezes a quedas perigosas, a ponto de não poderem ser transitadas a maior parte d’ellas, devido a não se lhe fazer o melhoramento certo ha mais de 15 annos, e para que chamamos a attenção immediata da nova camara, que cremos não descurará tanto dos melhoramentos municipaes como as anteriores; devido a isto, porque é feita de noute, e mui especialmente ao mau tempo, apenas poude percorrer um pequeno transito. Ao orador sagrado que tambem soube captivar a estima dos seus ouvintes, d’aqui lhe dirigimos os nossos encomios e lhe pedimos não desista do seu intento de fazer regressar as ovelhas ao seu aprisco, e aos principaes motores d’estas festividades felicitámos e louvamos a lembrança. Digne-se de publicar no proximo numero do Bejense este simples commumicado de que mais tem a agradecer o De v. etc. J. S. H.