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Beja

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Beja · Portugal Caminho de ferro · Correspondência · Governo Civil · Igreja

Na quarta feira regressou ao seu quartel, em Beja, o regimento 17 de infanteria. Foi dia de geral regosijo. A philarmonica Salvadense logo de manhã cedo percorreu as ruas da cidade e dirigiu-se depois para a estação do caminho de ferro. Mais de quatro mil pessoas enchiam o vasto recinto da estação, muralhas, avenidas da estrada, rua e campo de Oliva. Desde a inauguração da via ferrea nunca mais tinhamos presenciado tamanho ajuntamento de povo. Comtudo não nos surprehendeu. Estimado por tantos títulos como é o regimento 17 em Beja e esperando-se paes, amigos, parentes etc. etc., depois de uma tão longa ausencia, era isto naturalissimo. Ás nove horas e tres quartos avistou-se o expresso e, ao chegar á falla, o trem, militares e paisanos saudaram-se com enthusiasmo; innumeras girandolas de foguetes subiram aos ares e a philarmonica Salvadense tocou emquanto o regimento formava na gare. Ahi o exm.º coronel foi cumprimentado pelo sr. governador civil, delegado do thesouro, procurador regio, administrador do concelho, juiz de direito, vigario capitular interino etc. etc., e por muitos amigos seus. A philarmonica, acompanhada de muito povo, dirigiu-se depois da formatura para o quartel e seguiu-se o regimento. A sua banda tocava o hymno da carta com toda a bravura. Durante a marcha duzias e duzias de foguetes subiram ao ar, mas ao chegar a força em frente do campo de Oliva houve grande confusão porque alguns foguetes das girandolas foram de encontro ao paço episcopal, entrando uns pelas janellas do primeiro andar e vindo outros rebentar entre a multidão. Felizmente só causaram susto. Depois, ao largarem-se os morteiros, um ferio gravemente o quartelleiro do regimento e mais duas pessoas receberam ferimentos de outro. Atropelamentos tambem não faltaram. O regimento, ninguem diria ao vel-o desfilar, que vinha de uma marcha tamanha e tão incommoda e que havia supportado tantas fadigas. A sua apparencia a melhor, o passo firme. Parecia que regressava de um passeio militar. É assim o soldado alentejano. A parada estava circundada de postes de buxo embandeirados e de poste a poste havia um festão de murta. Á entrada um arco onde se lia 15 de março de 1873. A fachada do quartel estava tambem embandeirada e a porta principal decorada por outro arco onde se lia: Os bejenses ao regimento 17. Aos lados da porta haviam duas grandes pyramides. Ao meio dia tocou na praça a philarmonica; de tarde percorreu algumas ruas da cidade e á noute tocou na parada do quartel, que estava illuminada a balões de côres, os quaes produziam optimo effeito. Na parada difficilmente se entrava, tal era a concorrencia de povo. Para os festejos promoveu-se uma subscripção e uma commissão foi encarregada de executal-os.