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Enterro do bacalhau

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Porto · Portugal

Por iniciativa do sr. Sousa Porto teve logar na noite de sabado um espectaculo que a todos deixou satisfeitos—foi o enterro do bacalhau. Com certo apparato, desde a penultima vez que o batalhão de caçadores n.º 6 esteve n’esta cidade, nunca mais se tinha feito o enterro. No sabado porém excedeu em tudo o dos mais annos já pelo bem disposto do préstito, já pela muita gente que o compunha—121 pessoas. Abria o préstito a bandeira da irmandade; pegavam ás borlas quatro irmãos e ladeavam-na dois de alabarda ao hombro e assim vestidos: capa branca, até ao joelho, com cabeção verde, calça escura e na cabeça barrete semelhante ao dos antigos hussards da morte. Os demais do préstito vestiam do mesmo modo excepto o cabeção que era vermelho. O préstito era dividido em turmas presidida cada uma pelo seu reitor. Este differençava-se pelo cabeção da capa, que era verde, e por uma lança a que se encostava. No meio do préstito iam dois individuos levando as insignias da irmandade, e seguiam-se outros conduzindo um galheteiro e um enorme tacho com batatas. Depois as carpideiras; em seguida estas o reitor e escrivão da irmandade e o esquife com o bacalhau, conduzido aos hombros de quatro irmãos. Seguia-se a guarda d’honra composta de uns tantos cavalleiros trajando á antiga portuguesa e levando no braço esquerdo um escudo, e uma lança na mão direita. Entre a musica e a guarda ia um calexe e na almofada deste o pregador. O préstito era dirigido por quatro individuos primorosamente vestidos. Havia profusão de luzes e nas ruas do transito que foram Capellinha, largo de Santa Maria, rua das Ferrarias, Alcobaça, Praça, rua da Infanta, Torrinha, Conceição, Esperança e Salvador, a concurrencia de espectadores era tal que o préstito rompeu com difficuldade. O enterro parava em determinados locaes, soltando então uma toada melancolica as carpideiras acompanhadas a violão, e recitava-se a oração funebre. O enterro recolheu depois da meia noute.