Estação telegraphica
Têm-se gasto centos de reis no paço episcopal. Repartição de fazenda, governo civil, salas do vigario capitular, tudo tem sido soalhado, estucado e pintado e só a parte do palacio occupada pela estação telegraphica continua com a abobada [ilegível], as paredes esburacadas cobertas de oca e o pavimento sem ladrilho cheio de covas, etc. Aquillo não é casa para gente e ainda propria para um cão. É todavia summos obrigados a entrar em tal espelunca e a demorarmo-nos ahi ás vezes horas e horas. E então se ha a infelicidade de torcer pé n’uma cova e ficar-se incommodado? Não lhe contamos nada. Dão-nos para alivio um banco de pinho pintado de azul, de um metro de altura, sem uma travessa sequer para pôr os pés! É a pedra fria onde os judeus das obras publicas nos collocam, depois de apanhar-nos a taxa dos telegrammas e de deixarem-nos coxeando. Pois já era tempo de olhar pela estação telegraphica e de fazer desapparecer aquelle monumento de vergonha e nós pedimos ao digno ministro das obras publicas que dê as suas ordens, para quanto antes a estação telegraphica ser convenientemente installada. O que ha desacredita-nos. Pedimos pois providencia pela centesima vez.