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Cercal · Odemira · Portugal

Em data de 11 do corrente dizem-nos: Jogo—Chamamos a attenção do illm.º sr. administrador deste concelho, para o terrivel desenfreamento de jogo de parada, que reina e lavra com intensidade na florescente aldeia do Cercal. Homens e rapazes, ainda de tenra idade, misturam-se e estadeiam-se nas espeluncas, tabernas e casa de bilhar d’aquella povoação, e alli, muito commodamente e á sua vontade, exercitam-se diurna e nocturnamente na terrivel arte do jogar. Os paes, soffrem em geral—e ainda bem por emquanto—a rapinagem de uns filhos, que levados, ou illudidos, vão deixar na casa de perdição, o que seria para alimento seu, e de irmãos menores. Apoz a rapina aos paes, regue-se... o que se deve prevenir e evitar. Diz-se mais (e dizem-n’o pessoas de caracter respeitavel) que o agente da auctoridade administrativa n’aquella freguezia, protege descaradamente os jogadores, dizendo-lhes: «rapazes, joguem foitos; não tenham medo que eu estou aqui», isto é de mais. Temos a firme convicção de que ao illm.º e recto administrador deste concelho, são desconhecidos estes promenores; e por isso temos a certeza de que s. s.ª usará dos meios coercivos para pôr termo a um mal, que tem raizes fundas, e que póde ser a origem de muitas desgraças. Realmente é para lastimar, que em vez da mocidade do Cercal, frequentar a eschola d’instrucção primaria (a cuja frente se acha um habil e intelligente professor), procure por unica e exclusiva distracção o jogo—com toda a sua cohorte de terriveis consequencias. Remedio em quanto é tempo.