Voltar ao arquivo
Artigo
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaBeneficênciaEstradasEstradas e calçadasFeirasFestas religiosasFontes e chafarizesFrio intensoFurtos e roubosGoverno civilHomicídiosMercados e feirasNumismáticaObras de infraestruturaObras municipaisPobres e esmolasPontesPrisões
Cuba · Salvada · Portugal Governo Civil · Igreja · Interpretacção incerta

Tentativas de assassinato, assassinatos, roubos—Parece que estamos nos bons tempos dos Quilos, dos Caramelos, dos Bichas e Mochos. Os roubos e assassinatos contam-se pelos dias e desde 24 de dezembro, em que se commetteu o primeiro crime, tem continuado em maior ou menor escala. A’ lista temos de accrescentar mais o que segue: Ao monte do Touril, freguezia da Trindade, um homem fingindo estar com frio de uma sezão, pedio ao lavrador que o recolhesse. Este não lhe negou pousada. Ao anoitecer um rapaz do monte disse ao lavrador que o doente, do alto da parede do curral, estava fazendo signaes a tres individuos. O lavrador quiz verificar se era assim e vio que o rapaz se não enganára. Soltou então ao falso doente dois cães e na fuga disparou contra elle uma espingarda mas não o ferio. O ladrão deixou um bordão e uma facha, nos cadilhos da qual tinha presa uma gazua. A’ ponte velha da estrada da Cuba um boeiro, depois de lhe roubarem 400 reis, foi espancado. O mesmo aconteceu a um pastor no sitio da Fonte da Areia. No Tocheirinho, freguezia de Mombeja, na noute de sexta feira foi assassinado o lavrador, á punhalada, ferida a mulher e contra o filho da victima disparada uma espingarda. Conta-se o caso assim: Ao monte chegaram, dizem uns, que tres individuos e outros quatro e pediram para passar alli a noute. A lavradora negou-lhes pousada e os assassinos pediram-lhe então que pelo menos lhes desse uma gota de agua. A mulher foi ao interior de casa buscar a agua. Appareceu então trazendo ás costas uma golpelha de palha o lavrador. Os assassinos investiram com elle e disseram-lhe que pozesse para ali as 10 moedas que havia ido receber á thesouraria do concelho. O pobre homem disse que não tinha tal dinheiro, e disse a verdade porque o genro d’elle é que o havia recebido, por emprestimo do celleiro commum. Travou-se então lucta e o lavrador recebeu no baixo ventre uma punhalada. Durante a lucta o filho da victima voltou com a agua e vendo o que se passava pegou de um cacete e bateu nos assassinos; um d’elles porem que tinha uma espingarda deitou a mulher por terra dando-lhe uma coronhada e disparando depois a arma contra o filho da victima. Os assassinos roubaram uns chouriços e uma espingarda e deixaram dois lenços vermelhos com barra branca. Na noute de sabbado, no largo de Santa Maria, tres individuos ao passarem os srs. Machado e Malta Pinto, sahiram da arcada da egreja e tomaram a esquina da travessa do Sacramento. Como estes cavalheiros retrocedessem um dos embuçados seguio os até á praça e um outro ficou na rua da Cuba. Os srs. Malta Pinto e Machado pediram auxilio á guarda da cadeia e foram acompanhados por dois soldados até á casa de sua residencia na rua do Esquivel; ahi appareceu terceiro vulto que se avudia apressadamente ao ver os soldados. No domingo dois individuos tentaram roubar um outro morador á Porta Nova. Ainda arrombaram o telhado n’uma casa no sitio dos Pegões e como houvessem gritos de soccorro um dos ladrões evadio-se e o outro foi preso pelo cabo de policia Correia auxiliado por dois soldados da guarda do governo civil. Na noute de terça feira houve tentativa de roubo na Casa Branca freguezia de Quintos. No monte do Evangelista succedeu o mesmo. Antes de hontem á noute, na rua de Santa Catharina, houve tentativa de arrombamento na porta da casa onde está estabelecida a serralheria do sr. Baptista Ramos e tambem a houve na loja de carpinteiro do sr. Joaquim Vargas na rua da Torrinha. Um individuo de profissão varejador ao dirigir-se da Salvada para a herdade das Quintinhas, sahiram-lhe ao caminho dois individuos e mandando o parar roubaram-lhe o dinheiro e tabaco que trazia.