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Artigo

A matriz

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Igreja · Interpretacção incerta · Romano

Progridem as obras da restauração da matriz. Na capella do Senhor Jesus, a obra de alvenaria está concluída e começou o assentamento da talha; as cantarias das janellas do templo, as columnas e o arco da capella mór estão trazidas e a obra de alvenaria e pintura nas abobadas, entre as primeiras columnas e a capella mór, está adiantada. Parece-nos que o templo ha de ficar decente e que a obra satisfará os exigentes se, como a opinião publica indica e o bom gosto reclama, se fizer o seguinte: Arrancar das paredes lateraes os quadros da Ceia, Sacrificio de Abraham e Almas que não passam de uma bonecada. Da capella do Santissimo, obra de fino mármore e onde está um quadro magnifico de Pedro Alexandrino, apeiar as figuras de madeira que rematam o altar porque são, artisticamente olhadas, uma profanação e estão encobrindo o almofadado do arco, trabalho em pedra de algum merecimento. Tirar a barra de ferro, que está entre a terceira e quarta columna, e que serve para sustentar as alampadas, porque produz péssimo effeito. Demolir a gaiola de madeira dourada que está em redor da segunda columna do lado esquerdo ao entrar-se, bastando, para resguardar a admiravel pintura que está na columna, apenas uma moldura com vidros. Separar por gradamento a capella mór do cruzeiro. Desaferrar as naves lateraes para que os pedestaes das columnas fiquem, como na central, a descoberto. Avivar as inscripções que existem no templo. Nas capellas, deixar apenas as imagens dos oragos que estiverem decentes ou substituil-as por outras. O que deixámos indicado não leva muito dinheiro e estimaremos que a estas nossas indicações se attenda para que o forasteiro se não ria como se ri da misericordia em que se gastou um dinheirão para... arranjar uma perfeita loja de barbeiro de aldea. Agora nos lembra outra cousa. O baptisterio com a sua portinha torcida, as suas pincelladas de roxo terra, a sua cruzinha de pinho, a sua pia de pedra ferrenha oleada de vermelho, sem luz, com capacidade apenas para duas pessoas, sem pé direito, emfim aquelle buraco aberto na grossura da parede deve ser entaipado sem demora. Aquillo a continuar depois da obra concluída é um escarro. Lembravamos que o baptisterio passasse para a casa que serve de arrecadação ainda que durante annos ficasse como está porque ainda assim a casa de que fallámos é mais própria para o fim e está mais decente. Ora no collegio ha um tanque romano de argamassa, objecto de grande valor archeologico que pertenceu ao bispo Cenáculo. Lembravamos que fosse aproveitado para pia baptismal porque a actual, talvez que muitos, nem para salgadeira a queiram. Vejam o seu estado, avaliem o bem acabado da obra. O tanque romano é desagradavel á vista, repugnante até, mas que valor não tem? E como conservar-se melhor que destinando-o ao fim que indicamos, já se sabe, não lhe fazendo o mais leve enxerto? Confiamos que o digno prior e presidente da junta, o nosso bom amigo o sr. Alexandre Ramos Cid, e o incansavel sr. Bernardino [ilegível], tomarão em consideração o que deixámos dito. Creiam que nós lembrando isto só temos em vista salvar uma reliquia do passado, acabar com o que presentemente nos envergonha, e sobretudo o interesse da cidade.