O Noticioso de Valença, traz as seguintes noticias a respeito das guerrilhas carlistas, que livremente tem entrado no Minho, e saído para a Galliza sem o mais leve incommodo: «Na noite do dia 31 de julho ultimo saiu de Melgaço e S. Gregorio, debaixo do commando do sr. capitão Moraes, toda a força de caçadores n.º 7 destacada n’aquelles logares, dirigindo-se á freguezia de Castro Laboreiro, com o intuito de desarmar e fazer internar os facciosos carlistas, que, depois da derrota que tinham soffrido no dia 28 do mesmo mez, na freguezia do Gomezende proximo a Cella Nova, se acolheram ao nosso paiz, onde estavam refugiados. Os carlistas, sendo prevenidos por uma das vedetas, que tinham em diversos sitios, abandonaram precipitadamente estes logares, deixando ahi restos de alimentos, e algumas armas, polvora, e uma canana, e que tudo foi apprehendido conjunctamente com um breviario, de que usava o padre Calisto, um dos facciosos. Entre as armas apprehendidas encontrava-se uma, que fazia parte do armamento de um soldado de caçadores n.º 7, que havia desertado quando esteve ha pouco tempo destacado em Melgaço. Foram tambem presos tres facciosos, sendo um d’estes o vigia, que avisou os seus companheiros, e que não póde escapar-se com estes por estar extremamente fatigado com a rapida corrida que deu, para conseguir prevenir os mesmos a tempo de não serem surprehendidos. A auctoridade administrativa e alguns empregados da fiscalisação externa acompanharam a força militar, e auxiliaram-na efficazmente. Chegou á freguezia de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço, um destacamento de infantaria n.º 8, com a força de cincoenta praças, commandado pelo sr. capitão Diniz, para vigiar aquelle ponto da raia portugueza, e evitar que os facciosos carlistas se acolham a taes logares, e n’elles permaneçam, se agrupem e preparem para as suas excursões no paiz vizinho. Os facciosos que estavam n’aquella povoação, abandonaram esta, ao terem conhecimento da proxima chegada da força militar, suppondo-se que se retiraram para Hespanha, onde se reuniram a outras partidas que percorrem a provincia da Galliza. Na noite de 10 marchou uma força do destacamento de infantaria n.º 8, estacionado em Monsão, para S. João da Portella. Quando ali chegou, 2 horas da noute, já lá estava o destacamento dos Arcos com o administrador do concelho, e reunidas ambas as forças, cercaram algumas casas que o administrador indicou. Esta auctoridade tinha sido avisada de que n’aquella localidade se achavam alguns carlistas, e soube-se que effectivamente ali tinham estado em força de 70 e tantos desde o dia 8, e que duas horas antes de chegarem as forças se tinham evadido; sendo isso confirmado por tres paisanos da mesma localidade que foram presos e enviados á presença do administrador do concelho de Monsão. Logo que o digno governador d’esta praça teve conhecimento de que a guerrilha carlista, de que já temos fallado, vagueava pelas povoações do Alto Minho e que ultimamente se achava na Portella do Alvito, ordenou que sahisse d’esta praça uma força de 36 bayonetas, de caçadores n.º 7, commandada pelo sr. capitão Durão, em perseguição dos facciosos; que o destacamento de Arcos marchasse para as serras da Peneda e perseguisse a guerrilha, conforme as informações que fosse colhendo da direcção que ella seguia; que parte do destacamento de Monsão seguisse o mesmo destino pela Vellinha, Pomares e Lamas de Mouro, e que o de Melgaço mandasse guarnecer os pontos de Alcobaça e imediações, prevenindo tambem o commandante do destacamento de Castro Laboreiro, para operar de combinação com os chefes das outras forças, a fim de capturarem e desarmarem as guerrilhas que andam incommodando os povos da raia e exigindo-lhes o que elles não podem dar. O governador d’esta praça, o sr. Roque de Mello tem sido incansavel em providenciar para que na fronteira portugueza se não acolham as guerrilhas carlistas, e a s. ex.ª se deve a iniciativa de todas as diligencias que para tal fim se teem feito. Por participação official dos Arcos, soube que a guerrilha carlista, de que nos temos occupado, acampou na terça feira no alto da Bouça dos Homens, junto ao rio Mendouro, indagando se havia tropa portugueza na Peneda e em Castro Laboreiro. Parece que se dirigia a Lamas de Mouro, e d’ali a Alcobaça, povoação da raia a cinco kilometros de Castro.» De tudo isto se vê que a vigilancia na fronteira deixa muito a desejar. Sem fazermos mais commentarios ás noticias que acima transcrevemos, notaremos que o administrador do respectivo concelho recebe aviso de que em S. João da Portella estavam, desde o dia 8, setenta e tantos carlistas armados, e só na noute de 10 para 11, é que a força militar com a auctoridade administrativa dão busca á povoação! Como é facil de presumir, os carlistas tinham já levantado vôo. Parece-nos mal; muito mal.
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