Correspondencias
Castro Verde 3 de novembro. Cada vez se acha peior este pamphleto, que por ahi se publica, com o nome da Folha do povo. E muito baixos são os sentimentos de todos os seus collaboradores, porque indignidade sem pudor revelam os seus escriptos. Censura-se a auctoridade superior do districto por irregularidades commettidas em differentes ramos d’administração, e respondem com diatribes, entrando até pela vida privada dos cidadãos, que se não prestam a ser instrumentos de suas ruins e vis paixões. Da fórma e essencia dos seus escriptos abstemo-nos de fallar, porque desde a primeira até á ultima columna reina o divorcio e a ignorancia. Seriedade não a teem, porque o que hoje asseveram negam ámanhã, o que hoje refutam adoptam no dia seguinte. Sciencia revelam não em tudo, e senão vejamos o que a folha publica. «Venha a sociedade em geral dar força ao sr. governador civil de Beja, para reprimir os abusos dos maus, e da sociedade.» Outro officio [ilegível]. Bem sabe, sr. redactor, que este concelho não deve beneficios alguns á auctoridade, pois que tem contribuido sempre para o aniquilar, como ha pouco o demonstrou pela suppressão do julgado, recebendo seguramente a commissão, que ia representar ao governo contra tal medida. Unam-se portanto todos os povos do districto a estas queixas justas, que teem contra a má administração do sr. visconde da Boa Vista. Unam-se todos os povos para protestar contra a sustentação d’uma auctoridade, que não pode nem sabe administrar. S.