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Artigo

Correspondencias—Moura 21 de novembro de 1874. Sr. redactor

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Beja · Moura · Portugal Correspondência · Governo Civil

A Folha do povo está desacreditada. A ignorancia supina de seus redactores responde no grito sinistro dos calumniadores da honra. Uns assaltam a virtude. É preciso travar lucta heroica contra estes abutres sociaes, que pairam sobre o sacrario domestico. É preciso salvar o direito individual dos sicarios da penna. Perseguição eterna aos que se escondem nas trevas para ferir homens impollutos. Respeito ás leis. Eis a minha divisa. São ladrões do jornalismo os que profanam o sacerdocio da imprensa. É preciso pois varrer do jornalismo esses defensores mercenarios. Ah! pois não sabem que a serpente morde quem a aquece? Tal é o jornalista prostituido, que precede a quem defende. O partido politico da Folha do povo não vê o perigo, que o ameaça no futuro; promove escandalos, e semeia doutrina falsa; insulta o prelado porque este não transige com planos tenebrosos, nem favorece infamia. Com a cruz de seus principios flagella os mercenarios o sr. dr. Boavida, que sabe derramar a luz sobre o seu rebanho. Pelo conselho salutar, pelo apostolado legitimo, mantem a paz nas consciencias, e só combate os principios contrarios á moral universal. O sr. dr. Boavida não desce do pedestal de suas virtudes. Tem a integridade de Phocion; não segue a bandeira tremula do governador civil. Marcha e lucta com a palavra, vence com a intelligencia, e impõe com o exemplo. Aguesta o que se tem visto, durante sua gerencia. Apenas entrou no paço episcopal de Beja jurou perseguição implacavel á iniquidade. Não compartilhou as suas ideias com o governador civil, porque só ama a verdade, o direito e a justiça. Agora, uma vista d’olhos para a gerencia do governador civil, neste concelho, e temos de sobejo. Amareleja, povoação de 3:000 almas não dá um recruta ha nove annos; outros d’esta villa e aldeias do concelho, recenseados ha oito annos, são agora chamados, deixando mulher e filhos! Tudo isto foram favores, que Marianno fez a este concelho a ver se porventura conseguiria d’elle alguns influentes eleitoraes, mas como não pegou a labia, são por este estado victimas muitas familias. José do Prado foi á Amareleja, e conseguiu, que oito mancebos fossem apresentar-se á inspecção. É esta mais uma prova [ilegível]. Concluo observando-lhe, que as influencias do governador civil neste concelho estão a par dos titulos scientificos, que s. ex.ª possue, e que lhe adornam a fronte. Um mourense.