Fortuna inesperada
Lê-se no Jornal do Havre: «Um tambor do guarda nacional pariziense, que conta hoje 60 annos de idade, separou-se muito jovem de seu pai, porque este, procurando fazer fortuna, embarcou para a India ha perto de meio seculo sem que mais se ouvisse fallar d’elle. Ha dias o tabellião M. M. escreveu ao tambor José H... rogando-lhe que fosse ao seu escriptorio para um objecto importante. Importante era, effectivamente, porque o afortunado tambor soube que seu pai, do qual só confusamente se lembrava, fallecera, deixando-lhe uma fortuna de 35 milhões! O tambor recebeu a noticia sem pestanejar. Empallideceu, tremeu um pouco e os seus olhos humedeceram-se, pensando em seus filhos; porém, fazendo um esforço para sorrir, no meio de uma commoção muito natural exclamou: —Muito bem, vou trocar o meu tambor por um zabumba!»