Voltar ao arquivo
Artigo

Theatro

Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioCultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisAchados funeráriosCalor extremoIncêndiosTeatro

A Rosa é a lua, uma lua, que doudejando travessa por cima das flores do prado, vai espraiar-se nas lagoas alvas das campas quando o echo nocturno rompe d’alem dos visos das serras, e o fogo da melancolia se ateia no espirito escandecido do homem de genio! E o amor do poeta-philosopho, desse homem que suspira no fundo das selvas, nas horas mortas da noite, quando a solidão nos cerca, e o pensamento se eleva até tocar com as azas nas regiões d’uma paixão ideal! É a poesia, mas a poesia de Young, Cronegk, a poesia do homem que sonha com o tumulo, e que em cada verso derrama uma lagrima, absorvida pelas urzes da terra! É a Luiza, essa é o sol, mas o sol que descáhe moribundo lá no occidente, mas o sol matutino, que se philtra pelas gargantas das serranias, e se alastra pelas orlas cinzentas das avenidas, quando as grimpas doiradas dos campanarios, e os horizontes refeitos de purpura, nos fallam de vida e prazer! É o amor, mas o amor, que anima, que vivifica, que eleva, que embala á ventura... ao delyrio... no céo... aos pés de Deus! É a poesia, mas a poesia calorosa, enérgica, phrenetica, a poesia da juventude, a poesia da saudade... Para mim vale mais o sol ennegrecido do outono, do que a lua risonha d’abril; vale mais a poesia da vida, do que a poesia, embora eloquente, da campa. J.