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Algarve · Portugal

Ninguém ignora as tristissimas circumstancias em que se acha a provincia do Algarve que começa a luctar com os effeitos d’uma crise agricola das mais escassas e improductivas que ha memoria. A uma santa cruzada que a imprensa tem feito ante os poderes centraes pedindo-lhes energicos soccorros deve a provincia os decretos do governo de sua magestade que lhe fazem alimentar esperanças de lhe minorarem uma grande parte dos soffrimentos que a esperam. Tres são as classes mais ameaçadas das dolorosas consequencias do terrivel flagello. Os pequenos proprietarios, os trabalhadores e os indigentes. Para as duas primeiras tem-se tomado medidas proficuas que as auxiliem. Para a ultima, que é a mais necessitada, porque sem recursos proprios de bens ou aptidão a trabalho, só póde viver da caridade e encontra esta esquiva e remissa na provincia onde são tão poucos os que teem sobejos, não ha ainda providencias nenhumas tomadas. A provincia consta que a caridade official virá em auxilio d’estas classes, mas ella não bastará nem poderá excluir a caridade officiosa que se póde implorar nas partes do paiz no caso de a prestarem. Nem tambem em crise tamanha o concurso particular deve adormecer á sombra das providencias officiaes que jamais em taes occasiões houveram de beneficiar. Convidados pelos nossos collegas da Liberdade para abrirmos no jornal que redigimos uma subscripção para minorar a indigencia algarvia fizemol-o da melhor boa vontade e subscrevemos com o nosso obulo. Subscripção na redacção deste jornal. Redactores 1$000 reis. (Continua.)