Voltar ao arquivo
Artigo

Beja 29 de julho de 1875. Sr. redactor

Cultura e espectáculoExércitoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesAssociações recreativasEleiçõesFestas religiosasJulgamentosLivros e publicações
Beja · Portugal Interpretacção incerta

Venho hoje pela primeira vez comparecer n’este tribunal augusto da imprensa para dizer duas palavras acerca do meu porte no Club artistico bejense e patentear as desconsiderações que tenho recebido. Em 2 de agosto de 1868, installou-se, na rua de Mestre Manoel, o Club artistico, e sendo eu instado por um cavalheiro que sempre me votou amizade e consideração, accedi ao pedido de melhor vontade para que fosse contado no numero de socio primitivo mas não fundador. Muito bem. Passados dois ou tres dias sou desairosamente interrogado, n’um estabelecimento, por um individuo, sobre a minha entrada, imaginando talvez este sr. que lhe tirava o direito de fundador. A esta esperteza não digo agora nada mais, ficando satisfeito com o que n’essa occasião lhe disse. Tenho prestado alguns serviços á sociedade, pelo que não junto a menor pinga, e mormente a certos individuos que á minha vista me elevavam ás maiores alturas, mas na rectaguarda chegavam-me bordoadas de crear bicho. Quem tem culpas suas casa sr. José Francisco Carranquinha? S. s.ª sabe que tudo é verdade. E o que tem mais graça é que esta santa gente, os meus amigos, não são capazes de me pagar os serviços por mim prestados, porque ha coisas que o dinheirito não paga. Ahi vae mais uma prova da muita consideração e estima em que os meus intimos me teem: Approximando-se ha pouco a epocha da eleição da direcção que está funcionando no corrente semestre, um dos meus amigalhotes apresentou a «alguém» uma lista — era a da direcção — entrando para aquella corporação J. A. M., porque dizia elle, era assim que desejava servir o seu credor. Procede-se á votação e... oh fatalidade, J. A. M. transforma-se em zero! Este gracejo é muito frisante e notavel. Pois que quer dizer — um homem pertencendo a uma associação, possuindo esta diminuto numero de associados e tendo-se feito quatorze eleições, ainda se não lembrassem de eleger para director um socio que tem prestado alguns serviços já em favor da sociedade, já particularmente a amigos, promettendo suas s.as recompensal-o na primeira occasião! É na verdade que fiquei mal recompensado, além de muitas desfeitas que se me fizeram, tiveram por ultimo o atrevimento de escarnecer de mim, como se eu fosse algum... Meus respeitaveis e estremosos amigos, examinai os maços de quotas que estão em poder dos mordomos e dizei-me depois se lá se encontram algumas minhas, atrazadas? não, porque sempre estou em dia com o pagamento. Abri os livros onde se inscrevem as contribuições pagas aos differentes jogos ali existentes e dir-me-eis se está aberta alguma quantia? não, porque sempre cumpri o regulamento interno da casa. Como não soubesse alguns jogos pedi immensas vezes a alguém para que em meu logar jogassem, tendo só em vista concorrer com o meu bolo em beneficio da caixa. Sr. redactor, declaro-lhe que o que me fez apresentar n’este logar não é, como os meus amigos intimos suppõem, apoiar os individuos que hoje fazem guerra de morte e com justa causa á direcção transacta, mas sim a dignidade offendida que repelle para longe o ultraje ultimamente feito a este seu creado. Pela inserção d’estas lhe ficará summamente grato quem é De v. etc. José Augusto Marques.