O guarda fio da estação telegraphica d’esta cidade, foi terça feira, visitar, a um monte, um irmão. Como a mulher d’este lhe dissesse que elle estava guardando uma pastagem, dirigio-se para o sitio indicado. Proximo do monte encontrou um coiteiro. Deram os boas noutes, e o guarda fio, a convite d’aquelle, foi, em sua companhia, em direcção ao Penedo Gordo. Sahiram porem fóra da estrada e tantas marchas e contramarchas fizeram que o guarda fio perguntou para onde se dirigiam. — Para o Penedo Gordo respondeu o coiteiro. Continuaram a caminhar, e o guarda fio deu o seu frasco ao companheiro para que bebesse vinho. Acceitou e depois de beber entregou o frasco ao guarda fio. Quando este o pôz á bocca o coiteiro gritou-lhe: Prepara-te para morrer. E desfechou a clavina, a qual errou fogo. O guarda fio avançou para o coiteiro, lançou-lhe mão da espingarda e na lucta disparou-se o outro cano. Desarmado o coiteiro começou a lucta braço a braço. Foi desesperada e os dois contendores cahiram de cansaço. Recuperadas as forças, o coiteiro investio novamente com o guarda fio; este recebeu alguns ferimentos na cabeça, e nos braços e perdeu alguns dentes, mas esfaqueou aquelle. Como o ferido cahisse tirou-lhe a manta, o chapeo e a espingarda que veio apresentar á justiça á qual deu parte do succedido. O coiteiro foi conduzido para o hospital desta cidade e está mal e mui mal. É assim que no publico corre o caso.
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