O ex.mo sr. Carlos Relvas, da Gollegã, dirigio-nos a seguinte carta: «Gollegã junho de 1875
Tenho pouco introduzir em Portugal o processo de phototypia de monsieur C. H. Jacobi de Neuendorf, e tenho agora a honra de apresentar a v. algumas provas inalteraveis dos meus primeiros ensaios n’este genero de trabalho. Pela sua intelligencia e vontade energica, póde o distincto artista allemão simplificar a phototypia, alcançando resultados que devem ser extremamente agradaveis aos artistas e amadores. D’este processo de impressão por meio de tintas lithographicas, não é só o traço, sendo tão bom as meias tintas, e ainda muitos effeitos de claro escuro a [ilegível] poder combinar. Monsieur F. Jacobi, filho de monsieur C. H. Jacobi, em consequencia do contracto que fizemos, veiu á Gollegã e [ilegível] as primeiras interessantissimas do processo, e devo [ilegível] aproveitar este ensejo para prestar homenagem publica ao illustrado creador e representante da casa Neuendorf. N’este genero o processo a que me refiro, é certamente no paiz, o primeiro que dá as meias tintas em retratos. Felicito-me por ter podido adquiril-o, satisfazendo por este modo as minhas aspirações artisticas. Cuido tambem que a nossa terra lucrará com esta acquisição e folgarei de tornar util aos meus concidadãos o exito admiravel dos estudos de messieurs C. H. Jacobi e E. Jacobi. Tenho a honra de assignar-me com distincta consideração de v. etc.—Carlos Relvas.» Como o sr. Relvas diz na sua carta a perfeição das meias tintas em todas as provas é admiravel. Parece-nos que n’este processo de impressão nenhum outro compete com a phototypia e a sua introducção em Portugal não ser o sr. Carlos Relvas, seria tardia. Honra pois ao distincto amador pelo serviço relevante que prestou ao seu paiz. Nós agradecemos o precioso brinde e guardamol-o como um testemunho de talento e gosto e serviço á Arte.