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Artigo
Justiça e ordem públicaCrimes
Lisboa · Portugal Correspondência

Na correspondencia de Lisboa para o Primeiro de janeiro lê-se, entre outras cousas, o que se segue: «Um boato cuja veracidade não posso affirmar, circula desde hontem nos centros políticos. Aqui ha dias, em plena festança do príncipe de Galles, fallou-se n’um facto escandaloso em que estava envolvido o sr. ministro da justiça, com offensa dos direitos de um particular. Não quiz referir-me ao assumpto porque era pouco do domínio publico e porque era d’aquelles em que se deve proceder com todo o escrupulo.» «Agora a noticia do facto espalhou-se muito; diz-se que o offendido querelou contra o snr. Barjona, que assim tem de figurar n’uma causa escandalosa, o que é incompatível com o exercício do cargo de ministro da corôa, e por tal motivo sairia do gabinete, acrescentando-se que seria substituído pelo sr. conselheiro Sá Vargas.» Acreditamos que haja escandalo, mas não cremos que por causa d’elle o sr. Barjona saia do ministério. Não são os ministros actuaes que cedem o posto por questões de moralidade. Haja vista o comilão Antonio Cardoso Avelino, que mais achacado do que Lazaro, em vez de esconder-se, faz gaita em se mostrar e o que é mais de cabeça erguida! E havia de pedir a demissão o ministro da justiça; cahir nessa aquelle grande melro? Assim elle era tolo. Acha-se sua ex.ª, ao que dizem, envolvido em um processo [ilegível]? Mais uma rasão para comer bem e beber melhor. Pois então? Chia o carro? Que chie á vontade, vamos acomodando Neufeis e pensando nas freiras de Odivellas e quem se doer que se torça. Isto vae n’um sino e palavra de honra, que o estimâmos.