NOTICIAS DO CONCELHO DE MOURA. Continuam os empregados do posto fiscal da Amarelleja, de que é encarregado o sr. Thomaz Couto Correia, a prestar relevantes serviços á sociedade. No dia 27 do passado abril conseguiram capturar o Zé da Vestia, que ha dois mezes se tinha evadido da cadeia de Moura. Foi preso no baldio da Amarelleja, apenas 2 kilometros distantes d’aquella povoação. O sr. Thomaz Couto Correia, desde que o encarregaram d’aquella diligencia, não cessou d’empregar todos os meios ao seu alcance para a captura do réo. Render homenagem aos que á custa da propria existencia sabem desempenhar o seu dever, é de justiça. Cá de longe lhe enviamos um abraço. A prisão foi feita pelos empregados José Luiz, Francisco da Silva Jordão e Luiz Antonio, sendo este o que mais se distinguiu pelo seu valor e coragem, correndo sobre o Zé da Vestia, que vendo-se perseguido, embuscando-se no mato, apontava a espingarda ao sr. Jordão, que mais proximo passava d’elle; foi então que o sr. Luiz Antonio, que o vio na attitude de disparar, avançou para o criminoso, conseguindo que elle se rendesse, entregando-lhe a espingarda. Sente-se a falta d’uma força militar que auxilie tão dignos empregados. Muita convinha um destacamento n’aquella aldeia, que conta hoje 800 fogos. Os empregados não são os bastantes para zelar pelos interesses da fazenda, e fazer o serviço que a outros pertence. Estamos crentes, que a maneira de regenerar o concelho de Moura, era estacionar um forte destacamento de cavallaria n’aquella villa, porque reúne em si todas as condições, e todo o concelho partilhava do melhoramento tão transcendente. E’ inegavel que os regedores com a sua policia, a maxima parte, tendo d’ir ganhar um jornal para alimentar a vida, não podem conter as desenvolturas, provenientes da má educação de quasi todos os povos da raia, para onde affluem dezenas de desertores de Hespanha, e d’outros criminosos, que não obstante a franca e leal hospitalidade, que de melhor grado se lhe presta, uns abusam pondo em pratica os seus pessimos costumes, outros propagam doutrinas oppostas ao bem estar das familias; doutrinas que o povo, sempre propenso ao mau, sorve a largos tragos. Convençam-se do que aqui expomos. Uma povoação como a Amarelleja precisa d’uma força militar, para que a auctoridade se possa fazer respeitar, do contrario caminhamos sempre mal. B.
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