Trabalha actualmente no theatro provisorio uma companhia de zarzuela dirigida pelo sr. Larripa. Entrou em Beja a companhia precedida da melhor fama. Apresentou-a ao publico, o nosso collega do Districto de Faro e deu aos bejenses os parabéns pelas bellas noutes que ella ia proporcionar-lhes. Entre a companhia e o publico as relações estabeleceram-se domingo; o director convidou-o para assistir á representação das zarzuelas Lula e La Soirée de Cachupin e antes de hontem para novo espectáculo que constou das zarzuelas Una vieja e La Sensitiva. Foram duas bellas noites. Não faltaram applausos. O publico retirou-se satisfeito e os artistas deviam ficar tambem por ver coroados do melhor exito os seus trabalhos. Diga-se porem a verdade. Não é de primeira ordem a companhia, mas é uma boa companhia de canto e pode apresentar-se em toda a parte sem receio de manifestações de desagrado. O tenor, o sr. Benitez, possue uma voz pouco forte, mas mui harmoniosa e canta com mimo; o baritono, o sr. Larripa, é, alem de cantor, um bom actor comico; a sr.ª Blanco está cançada, mas escuta-se com gosto o seu canto porque é de uma correcção perfeita; a sr.ª Lacida canta e declama bem e na Sensitiva revelou grandes disposições para a opera comica; o vals do primeiro acto faria inveja á Lange da Angot, a Marie Dénis, se o ouvisse cantar a distincta actriz; e a empreza do Príncipe Real só para entrar no can-can da Giroflé Giroflá daria uma vantajosa escriptura á sr.ª Lacida. O publico, a direcção do theatro provisorio, todos em summa devemos fazer por conservar aqui os distinctos actores. Não abundam entre nós as distracções, não são muitos os logares onde possamos passar bem uma noute. Domingo ha espectáculo. Vae annunciado no logar competente.
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