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Beneficiou-se no theatro artístico, na noute de 3 do corrente, o sympathico actor L. J. de Freitas. O espectáculo compoz-se da comedia-drama em 3 actos—O cavalheiro de S. Jorge, e da comedia em 1 acto—Posso fallar á sr.ª Queiroz? e d’uma scena cómica—A ingleza. O desempenho da comedia-drama foi soffrivel, e os actores receberam applausos; no terceiro acto o sr. Freitas arrancou enthusiásticos bravos e frenéticas palmas á platea. Seguiu-se depois A ingleza, imitação da scena cómica Que pena! Era tão lindo; pelo beneficiado. A platea esteve sempre em completa hilaridade desde o principio até ao fim, e acabada a scena cómica os espectadores chamaram o actor ao proscenio. A comedia Posso fallar á sr.ª Queiroz? continuou a agradar. N’um dos intervallos o beneficiado recitou a poesia que abaixo publicamos. COLONIA PAX JULIA. Poesia a Beja. Por L. J. de Freitas. “Eil-o o gigante e coevo monumento, Que junto d’um templo, se ergue orgulhoso; Eil-o! O collosso cingido de gloria, D’eterna memória d’um povo brioso! De seus parasitas arbustos cercado, No cinto apertado lhe [dão] brasões; A historia marcando em folhas douradas Recorda passadas, heroicas acções! Aqui n’estes campos, soberbos Romanos, Fataes desenganos, vieram buscar, A paz lusitana imploram vencidos, Pendões abatidos lhes vão offerecer. Qual foi a Nação por mais poderosa, Que possa vaidosa no mundo gabar-se: Dizer que um império, que thronos vergou, O orgulho domou... afinal retirar-se?!... Vencidos soldados cobertos de pejo, Da paz no desejo lhes ouço bradar: Cohortes armadas... por terra prostradas, Á Julia Colonia—se vem humilhar! Se as vistas affasto, a um outro padrão, Valente e christão, cingido de luz... Lá vejo esboçado em pobre eremitério, De heroes cemitério, guerreiros da cruz! Aqui nos teus campos, oh! Beja! cercado, D’exercito armado—d’infindo pavor! Dos Mouros eu vejo [ilegível]... desmaia... S. Gonçalo da Maia—O bom Lidador! D’innumeras tropas [tumúla] o crescente, Que além de repente se vê [ondular]; Gonçalo da Maia p’ra seus companheiros, Lhes vê derradeiros momentos chegar! Mas não que os desejos ardentes da gloria, Lhes dão a victoria, redobra o ardor; Intrépidos [lutam], disputam revezes, De ser Portuguezes lhes mostra o valor! Teus muros, oh! Beja, cobertos de lucto, Não tem inda enxuto teu pranto de dor; Por ver que a victoria custara-lhe a vida, No sangue perdida do teu Lidador! Passaram-se os tempos da paz no remanso, Mas breve o descanso na patria mudou; De pugnas internas então perseguida, Também fratricida a patria arrastou! Goteja inda o sangue da chaga que aberta, Discórdias [ilegível]... rancores [ilegível]; Silencio... respeito... apertem-se as mãos... São nossos irmãos, são nossos [mouros]!... Nações ha no mundo, dictando-nos leis, Que os pobres dos reis lá tão degolar; Respeito ao monarcha, é nossa [crença], E não se precisa da historia occultar! Nem sempre douradas do brilho da gloria, Podemos a historia sorrindo apontar; Mas sim que podemos a par d’estrangeiras As mais lisongeiras das paginas mostrar. Dos feitos briosos dos bons Portuguezes Em Beja [portuguezes], valentes mostrou; E a par das cidades ao throno fieis, Primeira a vereis que as armas tomou! Com quanto não seja mui bella—o seu [nome] D’infindo renome—jamais se olvidou; Seus campos formosos—seus filhos bondosos São laços poderosos, que Deus lh’outorgou!!”