Noticias de Setubal. «Depois da tempestade veio a bonança, temos bonitos dias, e o famoso Sado na sua natural placidez. Que não venha outro S. Martinho como o de 1858 e 1875 é nosso desejo porque não tratou bem, ainda os seus mais fieis devotos. Os barcos já não teem segurança mesmo em terra! Na sexta feira, pelas 10 horas da noite, estando a doca secca, manifestou-se fogo em um barco: o alarme foi geral, acudiu o povo e a tropa, os soccorros foram promptos e o fogo dominado sem communicar aos mais barcos; podia ser uma grande catastrophe porque havia mais de duzentos barcos na doca. Queimaram-se apenas umas redes sendo o prejuizo calculado em duzentos mil reis. No ultimo dia de temporal entrou n’este porto uma barca portugueza que na viagem para o Pará aqui teve de arribar no fim de 10 dias de viagem. Chegou á barra na vasante da maré, e sem poder tomar piloto porque o muito mar não o admittia: tentou o ultimo esforço, largou todos os panos, e foi feliz! Ainda aqui está, traz carga e passageiros. Um dos decantados vapores da carreira de Alcacer tambem nos dias do temporal foi para o fundo do rio; faz pena que ainda haja ficado um com que o publico continuará a ser burlado, e pondo em risco a vida dos passageiros. Venha o largo subsidio do largo governo, e o mais pouco importa!... O nosso amigo Trindade tambem soffreu com o temporal, e muito mais soffreria se não se houvessem afastado a tempo as barracas: teve um pequeno rombo no caes, que ainda assim demanda o reparo de uns trezentos mil reis. Todo o arvoredo da praia, que foi o mais fustigado pelo vento, tem a folha secca como se fora queimada. É hoje domingo toca o badalo desde as 4 horas da manhã que é a primeira missa em S. Francisco. São 11 horas vamos tambem ao sacrificio incruento da lei da graça.»
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