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Artigo

Improviso

Cultura e espectáculoTeatro

Á eximia actriz portugueza, a menina Maria Luiza Bessa Lopes, na noite do seu beneficio no theatro da sociedade artística bejense a 15 de Novembro de 1863. “Même quand l’oiseau marche on sent qu’il a des ailes”. * * * Qual debre estrella com marcado trilho, Que tem de percorrer; Mal pode o genio eclypsar seus raios A quem o sabe ver... Nem elle mesmo... se refrea os vôos! De si não ha fugir! D’um astro, mesmo em sua aurora apenas, E’ condição—fulgir! E tu na aurora estás da vida e gloria Luiza a fulgurar! (Futuros annos a seu cargo teem A predicção firmar!...) Caminha, avante pois, ó genio excelso! A posteridade é tua! Primeiros passos são, os que já fulgem Amante, continua! Nem matutino sol é deslumbrante No tom crepuscular, E o genio, qual a Fama, robustece D’eterno caminhar! Ha Zoilos, sei, que te predizem—loucos! Um fúnebre lençol! Coitados! não possuem olhos d’águia Para os fitar no Sol! Coitados! sei que tu os não odeias! Não o podes fazer! Não nutre um odio o coração d’um anjo Com rosto de mulher!... Mas... basta, ó lyra, que nas faces vejo Despontar-lhe o rubor! Aos seculos deixa coroar de gloria O genio inda em flor! J. Lobo Alcoforado.