Ervidel
Ervidel 20 de janeiro de 1877. Sr. redactor.—Como o sr. José Felicio Julio desta aldeia, quiz no jornal que v. dignamente redige, provar que eu lhe era devedor de uma quantia por trespasse de fazendas da sua loja, e como eu entendi que o sr. Felicio queria que essa publicação lhe desse direito a um habito, rogo a v. o favor de publicar a copia do recibo do mesmo sr. Felicio que fica em meu poder. Eis o recibo: «Recebi do ill.mo sr. José Curado Leitão de Ervidel a quantia de quatro centos, e vinte seis mil e oito sentos e cincoenta e seis reis — 426$856 — importancia da letra do valor das fazendas que eu tinha trespassado ao mesmo sr. e por estar pago e satisfeito desta quantia, e não me ficando devendo um só real — para isso lhe passo, verdadeira e ultima quitação que assino. Ervidel 20 de janeiro de 1877. José Felicio Julio.» Ora como eu não creio nem julgo que alguém creia na lealdade do sr. Felicio, aqui transcrevo ipsis verbis o seu recibo, mostrando assim que se não sei escrever, nem ser héroe de tabuletas, sei pelo menos ser homem escravo da minha palavra. Não devo nada ao sr. Felicio e isso me basta para ser feliz. Emprazo para que no proximo numero deste jornal diga se falto á verdade, mas veja se estuda mais porque a riqueza não vale de nada. José Curado Leitão.