Voltar ao arquivo
Artigo

Terrível tempestade

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaBeneficênciaDesabamentosEstradas e calçadasFeirasMercados e feirasObras de infraestruturaObras municipaisPontesQuedasTeatroTempestades
Correspondência · Igreja

No dia 16 de novembro a cidade de Messina (Sicilia) foi devastada por uma terrível tempestade. Innundações quasi súbitas seguiram-se á queda de uma massa de agua, que em torrentes se precipitou das montanhas sobre a cidade, arrastando rochedos, arvores e pedras. Pontes, casas, o gazometro e a igreja do retiro foram destruídas, perecendo 50 pessoas. Mais de 500 famílias ficaram sem asylo, depois de terem perdido quanto possuíam. Uma carta d’aquella cidade dá a seguinte noticia sobre os desastres causados pelo temporal: [ilegível] «É desolador o aspecto da cidade depois dos effeitos do terrível temporal. Chega já a mais de 600 o numero das victimas, umas enterradas na lama, outras arrastadas pelas torrentes, e outras levadas para o mar. Cita-se uma familia inteira que pereceu. Aos primeiros rubros da aurora um pae quiz subir sua mulher sobre o telhado da casa que se ameaçava de desabar. Uma menina estava já apegada, segurando-se-lhe ao vestido. O pae levou o filho pequeno no berço e [ilegível]. Momentos depois [ilegível]. Á menina arrancou n’um aperto convulsivo o pedaço do vestido em que procurava segurar-se. Não foi esta a ultima scena terrível. Viram-se passar, como em turbilhão, casas arrastadas inteiras, e era tal a força da corrente, que em alguns sítios deslocou e levou volumosas pedras a 40 passos de distancia. Nas ruas de Messina ha um metro de area amontoada. Foi preciso abrir passagem para chegar ás lojas e mais de uma porta solida foi arrombada pelas aguas. No caes formaram-se verdadeiros bancos, que recuaram o mar. O gazometro ficou metade destruído. É preciso ter visto e ver ainda os logares para se comprehender a violência da tempestade e a espantosa alluvião que causou. O conselho municipal votou 30:000 francos e o concelho provincial 25:000 para soccorros. O prefeito deu 1:000 e o general Modici offereceu 361 do producto d’uma subscripção voluntaria entre as tropas da guarnição, que durante o desastre fizeram corajosos serviços para salvar tudo o que poderam. O ministro da casa do rei enviou 4:000 francos, esperando as ordens de sua magestade. Na quinta feira houve no theatro de Victor Manoel uma representação, que, pelo menos, produziu 2:005 fr. para as victimas da innundação, e por toda a parte se organisam subscripções particulares para soccorrer estes desgraçados.»