Beja—6 de julho de 1877. Sr. redactor
Quem não sabe, que a vibora, esse reptil, nojento e vil, occulto nas hervas, morde, e envenena a victima que a não descobriu? Respondamos. Não temos sciencia, nunca se nos metteu na cabeça desejar passar por tal: sabemos muito pouco d’alguma cousa que estudámos, tendo apenas a consciencia de podermos chamar aos bois pelo seu nome (como vulgarmente se diz) sem recorrermos a estranhos para revisão ou confecção do que pretendemos escrever... Não costumamos gastar tempo esterilmente; não provocámos conflictos; lançada a luva, acceitamos combate e damos correcção quando nos forçam a isso. Honrado e honesto sr., que ganha a vida honradamente, declaramos-lhe que muito folgamos de o apreciarmos em letra redonda, sentindo apenas, que uma causa tão ingrata, lhe causasse o effeito de rolha, não tendo respondido ás arguições que lhe fizeram, deixando de pé tudo que lhe disseram: apresenta palhada, que só o homem que ganha a vida honradamente poderá digerir, não dizendo uma só palavra sobre as accusações que lhe fizeram. O silencio confirma; fez bem para não ficar peor. Causa-nos profunda dôr a falta de vista que lhe notamos!! Não sabe que a unica pessoa a quem o tal documentosinho poderia fazer voltar os miolos, seria ao honrado sr. (se os tivesse?) Não vê que o fim de o apresentarmos á luz do dia não tem importancia juridica, que a outros, e não aqui, incumbe apreciar seu justo valor? Que a exhibição foi puramente para mostrar quanto pode e de que é susceptivel um honesto e honrado sr. que se apresentou como se mostram os ursos e outras raridades, aqui n’este paiz? (Vê pouco, vê, precisa oculos proprios para cego). Não vê que era a unica maneira de o fazer conhecido, de lhe adquirir uma celebridade tão justa, como a dos chouriços da Anadia? Dos taes que se chrisomaram, e se chamam hoje lucianos? Mal pensava eu sr. redactor, que a fatalidade me tinha destinado ao rude serviço de domador de feras?! Que teria de desaffivellar o buçal a um honesto, que ganha a vida honradamente! Que seria forçado a trazer á luz da publicidade factos sepultados na memoria das familias? Que me obrigariam a levantar a ponta do veu, que occulta o caracter honesto do homem que ganha a vida honradamente! Que seria impellido a mostrar o sudario immenso, d’honestidade, honradez e lisura, do tal sujeito, honesto, honrado e liso?! Essa epopea recheada d’honestidades gloriosas!!! Monumento immenso! Padrão immorredouro para herança de seus filhos! Sr. redactor, conhecem-me aqui e onde tenho estado, presando-me muito de não ter deixado, por onde tenho passado, o rasto luminoso dos meteoros!! Acontecerá assim ao honesto que ganha a vida honradamente? Naturalmente deve recordar-se da Barquinha?! Se tiver perdido a memoria, talvez que a familia Tocha...lha possa avivar, recordando-lhe actos d’honradez e lisura, apenas proprios de quem ganha a vida honradamente!!!... / Continua.