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ALJUSTREL

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Aljustrel · Portugal

22 de outubro. Temos um grande dever a cumprir para com os povos deste concelho, é avisal-o de que no dia 18 de novembro será a eleição municipal. Tomem bem sentido o povo e com quanto os individuos indigitados para a nova vereação, achemos as qualidades precisas para serem bons administradores, não lh’os impomos, mas o que temos obrigação de dizer é que rejeitem a lista que vier com a protecção dos pagodeiros ainda que sejam pela primeira vez apresentados ao suffragio popular. A lista da opposição é inquestionavelmente uma lista seria e em que o povo se pode fiar; a do pagode, para desmerecer a sympathia popular, basta-lhe ter nascido onde nasceram todas as que tem precedido a camara actual. Ainda se não viu uma camara sisuda nem progressista, aos interesses do concelho, escolhida por elles e é por isso que nós podemos affiançar que por muito bem que elles queiram escolher, hão-de por força indigitar alguem que os ajude a metter as mãos e os pés na algibeira dos contribuintes em nome dos melhoramentos do concelho. O povo para salvar pois o concelho, tem de votar em homens, cuja intelligencia esteja provada e de honradez que ninguem conteste. O povo precisa que o dinheiro que tem dado para estradas seja gasto n’ellas; o povo precisa que o seu dinheiro não sirva para se darem gratificações, ordenados ou subsidios, contra lei e escandalosos e que os subsidiados pratiquem acções como se praticou um dia destes com o infeliz Manoel Ignacio de Ruy-Moinhoa por causa de umas pilulas, mas sim que se pague bem a quem bem trabalha; o povo não faz tantos sacrificios para entrar no coice com as suas contribuições, para o presidente da camara negociar escandalosamente com o ordenado das amas e dos empregados; o povo tem feito milhares de sacrificios para sustentar a sua autonomia, e aquelles que tem tido como seus administradores teem-se farto do bom e do melhor e o povo a pagar! Quer o povo saber, já que o Miguelista do nosso escrivão não quer passar as certidões que pedimos, quanto tem pago para estradas? A lei é de 6 de junho de 1864, diz que do rendimento do concelho se tira a terça parte dos seus rendimentos para estradas; ora bem, quer o povo um calculo muito baixo do que tem pago para estradas? eil-o ahi 15:000$000 réis!!! gastaram 3:200$000 réis na estrada do Carregueiro, devem por consequencia ter em cofre 12 contos!!! Mas de que serve este dinheiro em cofre? Pois o povo não paga para se lhe fazer estradas? Elles não vêem que de inverno a muito custo se póde sair da villa e mesmo com sacrificio da propria vida? Elles bem vêem, elles bem sabem que o povo tem tido muita razão e ainda hoje a tem para fazer muita cousa; mas tem ainda mais razão. Ha um adagio que diz, dize-me com quem lidas dir-te-hei as manhas que tens; que esperanças póde tu ter nos baldomeras e na gente que elles pretendem eleger, se é que tal tenção elles hoje tem, quando nem uns nem outros se envergonham dos melhoramentos que vêem nos concelhos mais pobres do que o nosso? Quizeram uma casa para escola e houve quem lhe desse o dinheiro, um homem que a posteridade respeita e que os nossos filhos hão-de venerar; e sabes tu o que elles fizeram? foram tiral-o a juro para tu pagares, porque és rico e elles são senhores do fructo do teu trabalho! Infamia! Mas existe o dinheiro da viação em cofre? Elles dizem que teem um conto e duzentos mil reis e nós negamos, nós dizemos que nem elles sabem o que lá deve existir porque nos negaram uma certidão que o devia dizer. É preciso pois que o povo mostre que é livre, que sabe responder com um não a todos quantos queiram favorecer os baldomeras. É preciso que o povo fique sabendo que quem protege os homens que tanto mal lhe teem feito, tem interesse proprio na sua victoria; as promessas aos influentes devem ser muitas, mas lembre-se o povo que é elle que tem de pagar tudo. Fóra pois com essa gente que nos tem subtrahido da algibeira o suor do nosso trabalho para se engrandecer e rir da nossa miseria; fóra com os especuladores das amas e dos empregados, que aproveitando-se da sua miseria os faziam mais miseraveis ainda! Não se illudam e a victoria será nossa em nome da liberdade, da verdade e da probidade.