Homenagem a Alexandre Herculano
Um correspondente de Santarém para o Jornal do Commercio diz o seguinte: Em cumprimento do que lhe prometti, envio, para publicação, o officio da mensagem da ex.ma benemerita camara municipal de Lisboa: “Ill.ma e ex.ma sr.ª D. Marianna Herminia Mora. A camara municipal de Lisboa tem a honra de passar ás mãos de v. ex.ª, como respeitavel viuva do benemerito cidadão Alexandre Herculano, uma copia authentica da parte da acta da sessão de 19 de setembro proximo findo, em que se acham consignadas as expressões de sincera gratidão e respeito consagradas á memoria daquelle grande historiador, uma das glorias do nosso paiz. A vereação da mesma camara abaixo assignada, satisfazendo por este modo á deliberação que tomara, na referida sessão, e que [ilegível] a maior cordialidade para com v. ex.ª e sua digna [ilegível], emprega o seu alto apreço e consideração e protestos de profundo respeito. Deus guarde a v. ex.ª.—Paços do concelho, 19 de outubro de 1877.—Hermenegildo de Carvalho Daun e Lorena, presidente, Luiz Leite Pereira Jardim, Joaquim José Rodrigues da Camara, Francisco Romano de Almeida da Camara Manoel, Visconde d’Alenquer, José [ilegível] Rodrigo Affonso Pequito, Francisco Simões Carneiro, José Maria Alves Branco Junior, Antonio José Pereira Serzedello Junior, Antonio Virginio dos Santos Oliveira.” Copia da parte da acta da sessão de 19 de setembro de 1877: “Estavam presentes os srs. Luiz de Carvalho Daun e Lorena, presidente, e vereadores dr. Luiz Leite Pereira Jardim, Joaquim José Rodrigues da Camara, Antonio José Pereira Serzedello Junior, Visconde d’Alenquer, Francisco Simões Carneiro, Francisco Romano da Camara Manoel, José [ilegível], dr. Antonio Virginio dos Santos Oliveira. Declarou o sr. presidente aberta a sessão, e em seguida, estando todos de pé, propoz que na presente acta se inscrevesse um voto de profundo sentimento pela morte do illustre historiador portuguez Alexandre Herculano, gloria do seu paiz, Lisboa, que lhe foi berço, não menos magoada e pesarosa, chorava mais a perda de um filho tão predilecto. O seu voto, pois, era a interpretação d’esse sentimento dos municipios de Lisboa. Foi approvado por unanimidade. Continuando disse que na sua qualidade de presidente da camara do primeiro municipio do reino, e ainda como simples cidadão, cumpria-lhe ir a Santarem acompanhar até á sepultura o cadaver do Alexandre Herculano, mas fôra forçado, sem que o seu mau estado de saude lh’o permittisse.” (Continua).