Évora
Theatro. É ainda impressionado de agradáveis recordações que escrevo esta pequena noticia. Chegou a esta cidade uma companhia dramatica lisbonense, que tenciona percorrer as melhores terras do Alemtejo. O scenario que trazem é todo novo e pintado pelo insigne Eduardo José Machado, e mais o adereço os que estavam feitos para S. Carlos. No domingo foi a primeira representação da magica A Pomba de ouro, na terça feira a segunda. Houveram enchentes, applausos e chamadas etc. etc. Os srs. Araújo no papel de Rei Girasol, Menezes no de Príncipe do Reino Azul, Silva no de Escudeiro, Almeida no de [ilegível], a sr.ª D. Maria do Carmo no de Fada, a sr.ª D. Emilia no de Princesa das ilhas verdes e a sr.ª D. Ermelinda no de Aia, foram inexcediveis; os restantes nada deixaram a desejar ainda que seus papeis fossem de segunda ordem. No dia 8 representou-se a fina comedia o Correio amoroso em que a sr.ª D. Maria do Carmo, no papel de viuva nova, rica e formosa que precisa casar mas não acha homem com quem sympathise, a sr.ª D. Ermelinda no de creada e o sr. Silva no do Caetano, mereceram os applausos que lhe não foram poupados. Na Justiça, drama em 2 actos de Camillo Castello Branco, desempenharam perfeitamente a sr.ª D. Maria do Carmo o papel de uma desgraçada infeliz, seduzida e raptada pelo marquez Luiz d’Abreu que fez o sr. Silva, sem poder ser excedido, assim como o de Ignez a sr.ª D. Ermelinda, e o de pai d’esta infeliz, o sr. Amaro. A concorrencia n’esta noite foi pouca, mas da melhor sociedade d’esta cidade. Os Huriadores, béxiga em um acto, agradou tambem bastante e todos os actores andaram perfeitamente.