Religiosidade na Vidigueira
Communicaram-nos d’aquella villa o seguinte: «Actos edificantes, como se praticaram na semana santa, nesta villa, não devem ficar sem publicidade, e nem o Bejense recusará publicar em suas columnas, o que um seu assignante singelamente lhe envia: Houve lava-pés, trevas por musica, paixão, enterro, exposição do Senhor, nas igrejas da Misericórdia, S. Francisco, e Conservatorio do Espirito Santo, desta villa, achando-se as mesmas magestosamente decoradas e illuminadas. As igrejas foram visitadas por immensas pessoas d’ambos os sexos, nas noutes de 5.ª e 6.ª feira, pois que nos templos do Crucificado, não se vê lá a entrada ao rico, pobre, contricto ou peccador. Pregou os devidos sermões o revd.º Lamprêa de Alvito, o qual em termos concisos explicou o assumpto do que tratou, espalhando as flores da rhetorica em suas orações, com a maestria que costuma. Na quinta feira de endoenças, foi servido um esplendido jantar aos presos que se achavam na cadeia d’esta villa, a que assistio o juiz ordinario, primeiro substituto Antonio de Villa Nova e Vasconcellos, sub delegado do procurador régio Severiano Sérgio da Costa Vieira, empregados judiciaes e muitos cavalheiros desta villa, e philharmonica artistica, que em quanto durou o jantar, tocou peças que ao mesmo tempo que alegravam, faziam derramar lagrimas aos presos, e ás pessoas que assistiam a tão religioso e humanitario acto. Houve tambem procissão da resurreição, com todo o esplendor, divisando-se nos semblantes das pessoas que a acompanhavam e presenciavam a alegria que a noticia da resurreição do Crucificado havia gravado em seus corações. Louvores a todos os cavalheiros que concorreram para tão grande incentivo de progresso e civilisação, com especialidade ao revd.º prior José Silverio de Mira, e Antonio Fragoso de Mattos, provedor da santa casa da misericordia, que tambem assistio a tudo que fica notado. Um assignante do Bejense.»