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Artigo

As endoenças em Evora

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Évora · Portugal Igreja · Interpretacção incerta

A noite de quinta feira maior esteve aprazível. Innumeravel gente visitou as igrejas que estavam ornadas com todo o aceio e esmero. Em S. Francisco houve trevas por musica que acabaram depois de meia noite. O recinto do magestoso templo estava litteralmente cheio de povo. Alli estivemos e gostámos de ver a decencia e o espirito religioso que alli reinava, prova a mais convincente do progresso e civilisação desta terra. Nós acatamos a Divindade mas é com esses attributos que lhe são dignos, e por isso rejeitamos tudo quanto sejam praticas que pendam para beatice. A Divindade é degradada quando se lhe rende um culto que não seja digno da sua alta posição. A educação fradesca concorria muito para isso, e a prova é que, apoz a sua queda desappareceram muitos usos que ella diariamente vae modificando. Neste sentido Evora tem caminhado muito, e é uma honra para a capital da província. Depois de se acabarem as trevas, dirigimo-nos para a loja do sr. Torres Novas, a qual estava ornada com toda a elegância. O nome do magico, que fez encher de admiração todas as pessoas que entraram na loja do sr. Torres, é Francisco das Dores Castro, e é o mesmo de quem o jornal da localidade e o Bejense o anno passado tecendo verdadeiros encomios, não disseram o que elle verdadeiramente é. Mancebo de genio emprehendedor e perfeito em todas as suas obras. O povo de Evora admirando a decoração da loja do sr. Souto, deve orgulhar-se de conter dentro dos seus muros um mancebo que no futuro será uma gloria de Portugal. A outra loja do sr. Souto, tambem estava ricamente ornada, foi obra do sr. Manoel da Silva. Aqui lhe damos os devidos louvores pela bella execução do seu trabalho. Cada uma das lojas, em seu genero, nada deixava a desejar. Sirvam estas poucas linhas de estimulo para continuarem na senda que encetaram na qual um se pode já chamar mestre. * * *