Almodovar / Santa Clara Nova
Almodovar 11 d’abril 1878. Para as irregularidades que se estão praticando nas sessões da junta de parochia de Santa Clara Nova, chamo a attenção da auctoridade competente. O parocho d’aquella freguezia, Augusto Martins d’Andrade, cujo cavalheirismo é assás conhecido, habituado a uma certa facilidade em modelar a seu geito os membros automaticos das juntas de parochia transactas, desenvolveu-se-lhe mais uma vez no rusgado bestunto, a vetusta idéa sua predominante. Mas qual não foi o seu espanto, quando, ao lançar mais uma vez a rede dos seus estrategicos e costumados theoremas, viu antolharem-se-lhe como espectros terriveis dois... vogaes, dois homens emfim, que por seus peccados chegaram a conhecel-o. O meu amigo Fadiga, quero dizer o meu amigo Andrade, acostumado a umas [ilegível] que caiam em tempos mais felizes pelas juntas da mesa do orçamento, estranhou agora, quando avido esperava, por encontrar só espichas em vez de polpa. Deu então por paus e por pedras dizendo e fazendo coisas do arco da velha, mas qual!... Como as bichas não pegassem por serem velhas e sediças, appellou para sua reconhecida erudição tentando mais uma vez illudir a boa fé dos individuos que com elle se achavam em sessão. E qual foi o resultado do seu endiabrado plano? Fazerem-se sessões sem se lavrarem as competentes actas, e lavrarem-se actas ou uma acta que não foi assignada pelos membros por falta de lealdade na redacção. Por falta de lealdade!.. sim, isto é claro, isto ninguem admira. Achando opportuna a occasião lembro ao sr. prior de Santa Clara, que nem sempre se tem padrinho, e que eu sempre tive e tenho um azorrague, a mão vigorosa e uma vontade de ferro! As minhas asserções não teem caracter imprecativo; dão o seu a seu dono. Á auctoridade recomendo a averiguação do caso, se assim o entender. Brito.