VIDIGUEIRA
Houve o anno passado um procurador à junta geral que defendeu, como lhe cumpria, os interesses dos seus constituintes, e propoz e fez traduzir em realidade a reorganisação de alguns ramos do serviço districtal, o que, seja dito de passagem, lhe causou alguns desgostos. Pois esse procurador, o nosso particular amigo o sr. Marianno de Sousa, ficou n’este quadrienio fóra do partamento districtal. Não admira. Deu provas de actividade e por isso rua com elle. A eleição da camara d’este concelho tem uma alta significação. Villa de Frades foi quem soltou o grito da emancipação, e as freguezias ruraes secundaram-na. Celebrou-se uma reunião em casa do ex.mo conselheiro Justino, e alli accordou-se na lista para camaras. A villa da Vidigueira quiz resistir, o sr. Fazenda, que era o alter ego do sr. governador civil, viu-se em torturas, mas teve de submetter-se e acceitar as nossas imposições. Ponha a palavra imposições em lettra bem gorda para que dê nas vistas, para que caia um tiro às illações verdadeiras. Ora ahi tem, meu caro Palha, o que é esta gente. Palha e disputilha em quanto se vio só em campo, faz-se-lhe barreira, recuou e vergonhosamente. Porque não luctou? Porque se sujeitou o sr. Fazenda a tudo quanto quizemos e demais a mais ficando na vereação? O seu dever era regeitar e podia fazel-o deverestemente por isso que é reeleito. Mas não larga. Beberá até às fezes o calix da ignominia.