Voltar ao arquivo
Artigo

Ourique

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaCaminho de ferroCapturasDeserçõesFurtos e roubosGoverno civilMovimentos de tropasPobres e esmolasPrisões
Aljustrel · Beja · Évora · Messejana · Ourique · Portugal Caminho de ferro · Governo Civil

Sr. redactor.—Bradamos no deserto; ninguem se lhe importa que a nossa vida e haveres estejam á mercê dos maltezes que impunemente vagueiam por este vasto campo, entrando já nos montes e amarrando os donos das casas que roubam. Causou porem grande alarme o assalto a uns вагuetes do caminho de ferro da mina Transtagana. É que intender com os objectos da mina Transtagana não é roubar os lavradores, é caso muito mais serio. Veio do Beja infanteria e policia civil, o de Evora cavallaria; reunindo a força em Aljustrel, combinou-se no plano de campanha posto logo em execução. O apparato bellico foi imponente! Houve grande linha formada pela tropa que se estendeu dos Algares até S. João do Dezerto, avançando ao signal dado pelos tambores e clarins, bateu os campos em direcção a Messejana; n’este curto trajecto é detido quem transita socegado comsigo mesmo. Os maltezes não são capturados, não o podiam ser por esta fórma. Quero o sr. governador civil saber como nos póde livrar dos homens que estão sendo o terror da gente que vive no campo? Ponha s. ex.ª uma pequena força á disposição dos administradores, e regedores das freguezias, marque-lhe a noite para o assalto geral ás arramadas, eiras, malhadas de pastores etc. etc. Assim, é que o resultado póde ser proficuo, e mesmo completo, se nos montes mais frequentados pelos maltezes ficar, occulta, uma pequena força dois ou tres dias. Tudo que não seja isto é apenas uma ostentação de força que não é mais nem menos do que ridiculo apparato attento e nenhum resultado que dá incommodo e despeza, nada mais. Esperámos pelos trabalhos publicos, e já se nos affigura que esperamos pelas cebollas d’Egypto. O povo tem fome, o povo definha de dia para dia, nunca se vio desgraça assim! quem não tem familia sae d’aqui, mas quem a tem? Morrerá junto a ella. Tem havido sobejo tempo para se darem as providencias que não chegam! Quando a cebolla vem, se vier, já o pobre é morto! Um lavrador.