Almodovar—21 de setembro de 1878. Sr. redactor
Um maganão que reside ahi para os sitios da rua da Quinta, desta villa e outros de igual classe, fugindo á discussão, continuam, contra a seu talante e sem responsabilidade, a insultar-me no Jornal do Povo, fazendo recair a responsabilidade sobre um miseravel que não tem medo que eu o mate, e que, chamal-o aos tribunaes, seria gastar dinheiro e tempo. Covardes... como vos aproveitais da triste posição do desgraçado!!!... Não comprehenderá elle que vós, e só vós, com as vossas loucuras e perversidades, o lançastes no despenhadeiro em que se acha?! E’ bonito ver como estas gralhas querem fazer de pavões, de cordeiros, quando são leões, e de moralistas quando a immoralidade é... a sua divisa. Para que o publico possa conhecer o protagonista deste drama, logo que o veja, vou descrever-lhe alguns dos signaes característicos: Tem elle um rosto juvenil e effeminado, pé pequeno em extremo, voz aflautada, boca seductora e um bracinho... tentador! Creio que será um o bastante para o tornar conhecido, principalmente aos olhos dos... bons physionomistas. E’ por esta creança, a quem no tracto, dão um nome pequenino, o encarregado de continuar a abrir o sudário das nossas gentilezas e crimes (dizem elles) praticados quando do serviço da camara. Se o final fór como o começo, do que estamos certissimos, nada terá o publico que ver; agora se o menino quizer dar-se ao incommodo de desenrolar um outro sudário de pessoa que lhe pertence, o muito chegado, operado durante o longo período da sua permanencia na camara, então é que o publico terá que admirar. Eu conservo bem em relevo aquelles... paineis! Pode pois a creança prosseguir, não deve olvidar-se de continuar a mandar o Jornal do Povo, para este concelho aos meus amigos, elles gostam muito de ler as suas producções! E’ preciso porém confessar-lhe que não surtem o effeito desejado, conhecem-me [ilegível], assim como conhecem a mania e todos os seus. Quantas vezes eu os tenho ouvido fallar das cousas e pessoas dos vossos, especialmente quando vos apresentaes no vosso ginete, direito como um fuzo, fazendo de arlequim em circo de feira!... E’ bonito ouvir os seus commentarios! dizem elles—como os tempos mudam—e muitas outras cousas... que ainda só ficam por condescendencia e decencia. Repito, podeis continuar que não incommodaes, antes nos trareis distracção para as horas que nos devem restar, dos nossos afazeres campestres, todos utilizarão, vós mesmo, absorvidos por esse estanco em que chafurdaes, estareis fresco e enamorado dos vossos jorros de facúndia e seriedade. Como porem a nossa humilde pessoa pouco pasto vos deve já fornecer, deveis continuar com os vossos. Tendes matéria vasta!... cousas frescas, mui fresquitas. Pela inserção destas linhas no seu jornal lhe ficará mais uma vez agradecido, o seu amigo Manoel Joaquim Inglês.