Aljustrel—29-10-78. Sr. redactor
O seu Bejense, meu caro redactor, tem sido e continua a ser lido aqui, com geral applauso, á excepção d’um bom par d’intrujões d’estes de marca grande, que, depois que a sua linguagem lhes cheira a chamusco, tratam de o alcunhar de lambareiro. E’ o mesmo: elle vae proseguindo na explicação de certos episodios que lhes fazem estampas, não temendo as ameaças de tão debeis quanto volúveis, pois que se basea na veracidade dos factos. Consta-nos que o caixa d’oculos do tal luneta, essa machina de processos formados á maneira das bolas de sabão dos gaiatos da rua, esse homem que tem uma pera maior que uma das maiores maçãs maria gomes, esse boneco que diz que hade engulir eras e inteiros todos os Laricas d’este concelhim, que asseverava que hade reduzir a zero tudo quanto não pertencer á sua cesta intruja, coitado!... Então v. sr., sr. non plus ultra, inda está persuadido de que está na Lourinhã? Olhe que está em Aljustrel. Cuida que administra gallegos? Engana-se: nós, os seus tabuinistrados, somos portuguezes! Parece-lhe pêta as piadas do Bejense? Tenha paciencia; sofra as consequencias das suas levandades... Crê nas asneiras, que o mestre grillo, o historico, e outros lhe impingem? Faz bem, quem assim faz quem é luneta com muita telha e pouco juizo... Inda, ha pouco, fomos informados de que se procedeu a varejo, entrando-se em uma casa particular á forciori, e arrancando-se, da mão da dona da referida casa, um meio alqueire de pau, foi logo processado e custodiado, até agora, sem que mais ninguém, em Aljustrel, soffresse igual insulto! Chamamos-lhe insulto porque sendo a lei igual para todos parece que, como se costuma dizer, ou todos, ou nenhum. Será possivel, que em uma villa, tão populosa e commercial, como actualmente esta é, mais ninguém tivesse meio alqueire senão Luixa Muralhas? E’, que, dadas do varejo ás medidas, é provavel que estes typos, armados do talisman, o adivinhem, e os vão esconder em algum escondrijo das minas de S. João, assim como o celebre Boia escondeu na sua adega os foguetes e a enorme bomba, que mandara construir positivamente para atordoar os Laricas no dia 13 do corrente, ainda está encanastrada, sem que até hoje se tenha feito incommodar pela sua detonação. O nosso Boia é assim. Manda preparar as cousas, e depois... despreza-as! Com os livros, e o estojo, tem acontecido outro tanto. Ha cerca de 20 annos ou mais que aqui boia e rebota, e inda não teve ensejo de fazer uso d’estes objectos, de que os seus collegas se servem quotidianamente. Bem diz a tia Thereza Velhinha: «Aquelle Mestre Grillo, diz ella, mal empregado! Elle é bom homem; mas é um doutor, cá até os grilios são formados doutores, que não é como os outros: em vez de tratar dos doentes, leva o seu tempo a lidar em alcoviteirices; e depois o interesse que tira, é ficar, tanto elle, como os seus companheiros, negros para uns, e tisnados para outros!» Isso estava visto, inda diz a velhota, que os taes gatunos, torrejões, intrujões ou que diabo lhes chamam, tanto haviam fazer, até que haviam ficar esmagados pelos Progressistas. E’ bem feito: anda lá doutor; não quizestes conselhos da velha, agora... leva. Dei talh’a tal bomba, anda! Toma juizo, e não creias em pataratas!... Ora desprezem lá os conselhos das velhotas! Ella dizia bem...