Aljustrel
Vou communicar-lhe, em poucas palavras, sr. redactor, o que por aqui ha agora de mais notável; com grande sacrifício, pois que neste momento me sinto bastante incommodado. Inda se fosse eu só!... Isto por aqui está mau, muito mau!!! Não sei se foi differença atmospherica, se o que foi!... O que é certo, é que depois do dia 13 d’outubro, o tal celebre dia da eleição, a esta parte, tem adoecido aqui tanta gente, com febres, dores de cabeça, anciedades, dores de barriga (estas são as que mais incommodam...) que é muito raro encontrar-se a gente com um typo que não esteja pallido, cadaverico, rachitico, e assim bem como desconfiado com os parceiros... E note-se, este padecimento tem-se tornado contagioso, nos primeiros vultos d’aqui... Houve varejo aos pezes e medidas, e tudo estava na melhor ordem, á excepção do meio alqueire da sr.ª Luiza Muralhas, que está processada e dizem-me que vae responder em audiência geral! Também se diz que a sr.ª Luiza vae encarregar o pregoeiro, o Carne Azeda, para lhe defender esse interessante meio alqueire. Teve bôa lembrança, porque Carne Azeda é mais competente que ninguém para, em abono da verdade, ir alli patentear quantas dúzias de meios alqueires e quaes os seus donos tem Aljustrel depois da sr.ª Luiza!... É provável que o infeliz meio alqueire seja absolvido, não só pela facilidade com que, na prova testemunhal, hade ser provada a justiça que lhe assiste, como pelo brilhante discurso que o distincto defensor hade proferir, e não é d’esperar menos, porque está habilitado a fallar em publico.