[Aljustrel] Aljustrel 13-11-78. Meu Charo Amigo
Nunca na minha mente teve apoio, nem por ella passou que um homem constituisse mau grado seu transparece em seus semblantes. Assim como porém, ao confessor cumpre pintar ao penitente, com as côres ainda as mais carregadas, todos os soffrimentos ou castigos, que aos impenitidos estão reservados na outra vida, assim tambem a nós nos cumpre desenrolar, perante aquellas almas contrictas toda a enormidade de suas acções, para que seja mais puro e verdadeiro o arrependimento. Sim, senhor, este homem habilitadissimo... tanto que não podendo remover n’esta villa o capellão, desposto está a arguil-o ousando calumnial-o, pois sei que esta propriedade não cabe nem póde pertencer ao caracter d’um ministro de Jesus Christo, e mesmo que se torne desconveniente. Este homem que muitas faltas tem em suas obrigações, pretende insultar aquelle que com seus actos o affronta... não podendo afastal-o d’esta localidade parece ter contractado com o provedor da santa casa da misericordia para nada dar-se ao capellão, afim de que este reduzido á miseria seja compelido a deixar tal logar... parece assim ser; por quanto tem sido de costume dar-se a todo e qualquer capellão d’esta santa casa metade do ordenado a vencer; porém com o seu actual não succede o mesmo... Oh! elle tem exigotado todos os meios possiveis para que se reuna a meza, e vê que de proposito não se reune ha dois mezes, de maneira que já não attende e até reune abaixo assignados que os mesarios lhe dirigiram, e isto porque? porque o sr. Mouat faz da santa casa da misericordia reprezalhas, um centro de politica... por escarneo é palavra. Ora já um mineiro, digo mineiro por lidar em minas, é politico, é engenheiro, é provedor, e jemin? presidente d’uma camara!... mas caro amigo não sabe porque o capellão não tem recebido, nem sabe qual a côr que tem o trigo e o tinir do dinheiro da casa? é porque elle entendeu que devia obediencia só a seus superiores, e por isso não quer pertencer á sua politica immunda. Ora pois sr. Mouat mande reunir já e já a meza, mande para o thesoureiro esses quarenta e nove mil e quinhentos réis que salvo erro o sr. tem em seu poder, para com elles pagar ao capellão, aos empregados da referida casa de misericordia, que a não ser o capellão pedir-lhe por caridade em casa do sr. José Julio Peres não haveria quem lavasse a roupa do hospital... hospital! diz o sr. provedor como estamos com referencia á administração d’elle? ora isso sim, isso anda ás sete maravilhas... tanto que tem sido costume antigo dar-se ao andador algum dinheiro para se comprarem alguns necessarios; porém este anno foi o contrario... e sim nada se deu. Sr. provedor porque não providencia estas cousas? será porque não póde andar bem? pois bem deve saber que a cabra coixa não tem fôlego, e no caso que a possa ter, não tenha com a miseria d’uma pessoa para quem se deve prestar attenção pelos seus actos; não... não sr. provedor não coopere para que o sr. padre (Cardote) foique com os trabalhos d’outrem, satisfazendo-lhe seus pedidos; deve-se lembrar, que este seu satisfeito (Cardote) em tempo foi seu inimigo, e ainda hoje o é, porque elle não é, nem póde ser amigo de qualquer. Meu amigo, ainda hontem nós dissemos (fallando ou pensando maduramente) que o sr. provedor não era culpado, mas sim o prior, esse homem historico, esse homem que põe á venda o bom trigo, e depois vende a escoria d’elle que é o farello, vi de mais que me esquecia, o sr. provedor attende a seus pedidos, para remunerados trabalhos que teve na eleição camararia, andando de patinhas pelo corpo da igreja distribuindo listas, e consentindo, que o sr. Alonso Gomes estivesse repimpado na sa-