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Artigo

Mais um capitão mór

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Caminho de ferro · Governo Civil · Interpretacção incerta

O sr. governador civil parece que tomou á sua conta o vexar os artistas desta cidade, que são na maior parte cabos de policia, porque já se não satisfaz em os mandar por essas aldeias, de espingarda ás costas, atraz do recebedor da comarca, já se não contenta em os fazer ir por esses montes á procura de refractarios, já não acha bastante o fazel-os andar de ronda pela cidade até de madrugada, a titulo de serviço publico, agora descobriu outro meio de lhe promover a fome a elles e á sua familia: manda-os todos os dias de manhã e de tarde, para a estação do caminho de ferro fazer serviços, gratuitamente, á companhia ingleza. Isto é até onde pode chegar o posso quero e mando do sr. José Borges! Fazer com que os artistas não trabalhem nos seus officios para ganharem o sustento de suas familias e mandal-os, sob pena de prisão (!), prestar serviços diariamente, a estabelecimentos de particulares, é um absolutismo tal que nem no regimen absoluto se praticava. Se a companhia não tem os empregados sufficientes para o serviço e policia da estação, nomeie-os. Não ha lei nenhuma que authorise o sr. José Borges a mandar os artistas em tudo como se elles fossem seus criados. O artista é tão cidadão como outro qualquer; paga as contribuições em que é collectado, obedece á lei, quer gosar dos direitos que ella lhe confere, e por tanto não deve continuar a ser considerado como simples ordenança no tempo dos antigos capitães-mores. Até quando abusará o sr. Borges Pacheco da docilidade dos artistas desta cidade?